segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Amor e Justiça

Frases:

"Eu não acredito na Justiça!"
"Eu não confio na Justiça!"

"Estou aprendendo a confiar no Amor!"
"Prefiro confiar no Amor!"
"Quero confiar no Amor!"

"Não é possível que a Justiça vença o Amor!"

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Redação - ENEM 2011

Vi minha nota no ENEM 2011 e apesar de ter ido razoavelmente bem em todas as disciplinas, tive a redação ANULADA. Zerinho. Liguei para saber o motivo e, simplesmente, me informaram que não poderia ser feito nada e não daria mais para recorrer. Aliás, fiquei sabendo que não poderei participar do SiSU porque me deram zero na redação.

Sabe, posso até me conformar com a anulação depois de ser informado do motivo da anulação. Acontece que não é fornecida tal informação e fiquei sem respostas mais claras além das repetições da atendente.

Disseram que minha redação é corrigida por duas pessoas e se houver muita diferença, uma terceira é chamada. Tenho medo até de conhecer quem são essas pessoas.

Eis os textos para a redação em 2011:

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PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema VIVER EM REDE NO SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Liberdade sem fio
A ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito fundamental do ser humano – assim como saúde, moradia e educação. No mundo todo, pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi, organizações e governos se mobilizam para expandir a rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega, com acesso livre e gratuito.
ROSA, G.; SANTOS, P. Galileu. Nº 240, jul. 2011 (fragmento).


A internet tem ouvidos e memória
Uma pesquisa da consultoria Forrester Research revela que, nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo conectada à internet do que em frente à televisão. Os hábitos estão mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca de 20% de seu tempo on-line em redes sociais. A grande maioria dos internautas (72%, de acordo com o Ibope Mídia) pretende criar, acessar e manter um perfil em rede. “Faz parte da própria socialização do indivíduo do século XXI estar numa rede social. Não estar equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone no passado”, acredita Alessandro Barbosa Lima, CEO da e.Life, empresa de monitoração e análise de mídias.

As redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos maiores desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, se exaltam e cometem gafes podem pagar caro.

Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 30 jun. 2011 (adaptado).



DAHMER, A. Disponível em: http://malvados.wordpress.com. Acesso em: 30 jun. 2011.

INSTRUÇÕES:
  • O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
  • O texto definitivo, deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
  • A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
  • A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
  • A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
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Abaixo, transcrevo minha redação na esperança de que o meu vestibular não fique prejudicado por causa dessa abusividade do INEP e, também, torcendo para que o motivo da anulação da minha redação seja a minha ignorância e não a falta de conhecimento e compreensão por parte daquelas pessoas que deveriam corrigir minha prova:

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Conexão Final

  Na interação social que nosso século parece impor ser obrigatória exclusicamente através das tecnologias midiáticas de silício nos deparamos com a inevitabilidade de uma exposição do indivíduo tamanha que o lança ao ponto de se diluir em um coletivo também informe.

  Tudo se publiciza na medida em que o privado tecnológico não é mais restrito a um grupo identitário, porém, o público não se coletiviza, eis que o caldo formado por essa publicidade não ganha sabores específicos que o possam condicionar, mas se matém com a tampa aberta para receber os ingredientes de novas tendênmcias que tanto reformulam seu sabor quanto fazem o anterior ser esquecido.

  Relacionar conceitos de Consciência Social e Respeito aos Direitos Humanos, exatamente pelo fato de o privado, como individual, estar comprometido e ser substituído, normalmente, por um público sem forma rígida e estruturalmente mutável, é a dificuldade a ser superada a qual pode, todavia, ser o próprio dínamo para mudanças.

  Se já lutamos por liberdade e igualdade, uma vez que Público e Privado têm se interpenetrado, talvez seja hora de agregar à luta pela fraternidade, o desejo pela cumplicidade humana.

  Essa cumpliciade parece capaz de dar forma a essa publicidade sem gosto e permitir a efetivação de direitos na medida em que conscientizamo-nos de que nada está desvinculado do TODO em que vivemos.

  O compreender-se cúmplice permitiria tratar o público/privado como integrante de sua própria vida e os efeitos de uma atuação negligente seriam suportados não por outrem, mas por mim.

  Consciência Social, na sociedade moderna, não é vigiar para "corrigir insconscistências dos sistemas", sob a pálida intenção de preservar direitos. Ao contrário, é vigiar menos, porque o único responsável pelas mudanças não é o outro a quem vigio, mas eu mesmo.

  Assim, uma vez que as fronteiras público/privado se encontram derrubadas, outra nao pode ser nossa disposição além de nos darmos as mãos ao invés de reedificar muros, pois em uma aldeia global, a individualidade não prescinde de uma coletividade cúmplice e identificada com o Ser, enfim, Humano.


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Terminei a redação e a escrevi dentro das linhas adequadas. Mas, mesmo assim, tive a redação anulada.

Só restam, agora, as portas do Judiciário Federal para tentar descobrir o porquê de minha redação estar fora dos padrões do MEC.

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A seguir um exemplo de redação que se entende adequada:

Veja aqui o exemplo de uma boa redação com base no tema da prova do Enem 2011 feita pelo professor Rafael Pinna do Colégio de A_Z

O Globo
Publicado:
Atualizado:
Quinze minutos de privacidade
Quando afirmou que, no futuro, todos teriam direito a quinze minutos de fama, Andy Warhol indicou o desejo pela fama como uma tendência da sociedade de massa. A famosa frase foi cunhada no fim da década de 1960, quando a internet só existia como uma rede acentrada ainda com objetivos militares. Hoje, a grande rede se faz presente em boa parte das atividades cotidianas, como as próprias relações interpessoais, uma "'evolução" que transformou a crítica do conhecido artista plástico em uma espécie de profecia a ser seguida. O problema, nesse caso, é que a vida virtual muitas vezes elimina a tênue fronteira entre o público e o particular.
Basta ter uma conta de e-mail ou navegar eventualmente pela internet para perceber os perigos que ela oferece. De fato, invasões de contas e crimes de diversas naturezas tornam a rotina em banda larga pouco segura, transformando informações sigilosas em conteúdo público com a mesma velocidade da comunicação em tempo real. Embora haja uma discussão acerca da correção do caso, o trabalho da organização conhecida como "Wikileaks" evidencia como nem mesmo empresas e governos, com suas redes de seguranças supostamente seguras, estão imunes a esses riscos.
Nem sempre, porém, o problema é fruto de invasões e crimes: o desejo pela exposição e pelo reconhecimento virtual tem levado a perigosos exageros na vida real. Por trás de perfis em redes sociais e de pseudônimos em chats e blogs, muitas pessoas expõem suas intimidades, com frases ou fotografias comprometedoras profissional e socialmente. Prova disso são os casos de demissões e processos causados pela publicação de conteúdos considerados inapropriados, mesmo que isso tenha sido feito em ambientes tipicamente "pessoais". Assim, trata-se de uma ilusão imaginar que a vida em bytes, revelada no interior de um quarto fechado, possa ser dissociada da vida em carne e osso, em ruas e calçadas.
Diante de um panorama complexo, repleto de variáveis, é fundamental buscar caminhos para o estabelecimento de limites entre o público e o privado na grande rede. O primeiro passo deve ser dado pelos governos, com a criação e o aprimoramento de legislações específicas e mecanismos de identificação e punição capazes de inibir crimes relacionados a invasões de privacidade e manifestações preconceituosas. Afinal, o que é sociamente ilegal e imoral na vida real também o é na internet. Na mesma perspectiva, a mídia pode divulgar - tanto no noticiário quanto em dramaturgias - os perigos da exposição na internet, de modo a sensibilizar a sociedade.
Fica claro, portanto, que são necessárias medidas urgentes para evitar uma confusão danosa entre o particular e o público na internet. Contudo, a transformação profunda deve ser feita na nova geração de crianças e adolescentes, que já nasceu e vem crescendo em um ambiente paralelamente real e virtual. Por isso, o trabalho de ONGs e, sobretudo, de escolas parece ser a solução mais eficaz. Com aulas e palestras sobre o uso seguro e socialmente adequado da internet, é possível imaginar um futuro em que menos pessoas se prejudiquem com a vida em banda larga, e mais indivíduos usem esse recurso para, por exemplo, compreender melhor a frase de Andy Warhol.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vestibular/veja-aqui-exemplo-de-uma-boa-redacao-com-base-no-tema-da-prova-do-enem-2011-feita-pelo-professor-rafael-pinna-do-colegio-de-az-2897703#ixzz1hIKIvYqo
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também = http://oglobo.globo.com/vestibular/tema-da-redacao-do-enem-2011-viver-em-rede-no-seculo-xxi-os-limites-entre-publico-o-privado-2897667

http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/tema-da-redacao-do-enem-2011-vaza

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Tema da Redação no Enem 2011


Atualizada em: 23/10/2011

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano trouxe como tema "viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado". Os candidatos deveriam escrever sobre as redes sociais como Twitter e Facebook e como as pessoas se relacionam nesta plataforma. A informação foi confirmada pelo Ministério da Educação.

De acordo com o MEC, duas reportagens e uma tira de quadrinhos foram os textos de referência da redação. São elas as matérias "Liberdade sem fio" e "A internet tem ouvidos e memória", publicadas pela revista "Galileu" e pelo portal "Terra", respectivamente, e uma tira da série "Quadrinhos dos anos 10", do cartunista André Dahmer.

A questão das redes sociais também apareceu na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias. Segundo candidatos, compreensão de gráficos e tabelas foram exigidos na prova de matemática.


Critérios

A redação do Enem é corrigida por dois corretores de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. A nota final corresponde à média aritmética simples das notas atribuídas pelos dois corretores. Caso haja discrepância de 300 pontos ou mais na nota atribuída pelos corretores (em uma escala de 0 a 1000), a redação passará por uma terceira correção, realizada por um supervisor.

A nota atribuída pelo supervisor substitui a nota dos demais corretores. De acordo com o edital, o Inep considera que a metodologia empregada na correção das redações contempla recurso de ofício.

Será atribuída nota zero à redação: que não atender a proposta solicitada ou que possua outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo; sem texto escrito na folha de redação, que será considerada "em branco"; com até sete linhas, qualquer que seja o conteúdo, que configurará "texto insuficiente"; linhas com cópia dos textos motivadores apresentados no caderno de questões serão desconsideradas para efeito de correção e de contagem do mínimo de linhas; com impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, que será considerada "anulada".


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Tema da redação do Enem 2011 foi sobre 'viver em rede no século 21'

Alunos tinham que discutir os limites entre o público e o privado; tema era uma das apostas de professores

23 de outubro de 2011 | 16h 07


Os candidatos do Enem tiveram que escrever neste domingo uma redação sobre "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado". Eles deveriam usar dois textos de referência. O primeiro abordava a relação entre a internet e a reputação das pessoas, afirmando que a web pode ser usada tanto para o bem como para o mal. O segundo texto mostrava como a internet afeta a vida de indivíduos e empresas e lembrava que a ONU declarou o acesso à rede direito básico do ser humano.
Uma charge do cartunista André Dahmer também serviu de apoio para a redação. Na tirinha, um homem que sabia que estava sendo vigiado falava para uma câmera.Um policial assistia a este mesmo homem falando. Ele dizia que não gosta de ser filmado e que, se o policial concordasse, os dois poderiam se juntar para acabar com a vigilância. Redes sociais também caíram na prova objetiva de Linguagens e Códigos em duas perguntas: uma sobre o Facebook e outra sobre o Twitter.

'Todo mundo sabe falar'
O uso das redes sociais como tema da redação já era esperado por professores e estudantes. Em Salvador, por exemplo, liderou a bolsa de apostas de candidatos que aguardavam a abertura dos portões do Centro Universitário Estácio da Bahia, no bairro do Stiep, para fazer a prova. "Até ontem, eu tinha certeza que seria sobre meio ambiente, talvez falando de Belo Monte", comentou Juliana Reis, de 17 anos. "Mas a prova de ontem teve tanto meio ambiente que agora acho que vai ser uma coisa completamente diferente, tipo internet ou Copa do Mundo."
O tema também foi elogiado em São Paulo, no câmpus da Unip na Rua Vergueiro, zona sul. Ingrid Pereira, de 18, aluna do 3.º ano do ensino médio, comemorou: "É algo que todo mundo sabe falar. Os jovens passam muito tempo na internet.” A estudante tem contas no MSN, no Orkut, no Facebook e no Twitter e vai tentar uma bolsa do Prouni para os cursos de Administração, Contabilidade ou Recursos Humanos.
Kaite Vargas, de 19, também no último ano do ensino médio, achou o tema fácil. “Falei sobre o Facebook e os avanços da tecnologia. Hoje a internet permite que a gente conheça pessoas novas e reencontre quem a gente não vê há muito tempo.”
'Demorei para entender o tema'
Apesar de ter não ter surpreendido candidatos, o tema foi criticado por Carolina da Costa Simões, de 21, que prestou o exame no câmpus da Uerj no Maracanã, zona norte do Rio. “Achei que o tema não tinha nada a ver”, disse Carolina, que pretende cursar Enfermagem. “Tinha outros assuntos muito mais interessantes que podiam ter caído.”
Conseguir desenvolver o tema da redação foi a principal dificuldade alegada pelos candidatos que participaram do Enem em Belo Horizonte. Mesmo assim, vários estudantes deixaram os locais de prova assim que a saída foi autorizada, pouco após as 15h30. “A redação apertou um pouco porque eu demorei para entender o tema. Depois que entendi, foi fácil”, afirmou Henrique Nepomuceno, de 17, que fez as provas no câmpus da UFMG na Pampulha.
'Relativamente tranquilo'
Para a professora do Cursinho da Poli Eclícia Pereira, o tema da prova foi "relativamente tranquilo", pois remetia ao cotidiano dos candidatos. Segundo ela,o ideal seria o estudante refletir sobre como a superexposição provocada pelas redes sociais influi na vida de cada um.
A professora, que participou da correção das redações do Enem entre 2001 e 2006, lembra que muitas pessoas não têm noção de como são mapeadas e do controle que os outros exercem sobre suas vidas a partir das redes sociais. Por isso, diz Eclícia, a redação também poderia discutir as proporções dessa vida cada vez mais pública na geração atual.
Segundo a assessoria do Inep, órgão responsável pelo Enem, a publicação do tema da redação no site do jornal O Globo antes do horário permitido para a saída dos candidatos não configura quebra de sigilo da prova, porque todos os alunos já tinham acesso ao tema 1 hora após o início do exame.

domingo, 27 de novembro de 2011

Heresia

Gostaria de saber me referir a Deus com palavras como "encantamento" e "magia" sem ser considerado herege. Mas, isso fica para aqueles que sabem manejar melhor a pena do que eu.

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Me considero alguém que possui uma crença tradicional. Porém, há dias em que eu me canso de ouvir os mesmos discursos para as verdades nas quais eu creio, o que parece se apresentar como algo feito para que eu me convença que é verdade, e, não, para que eu reconheça a verdade. Exemplo: falar que em mim falta uma parte que só pode ser preenchida por Deus. Me recuso a crer que Deus seja apenas "uma parte". Se Deus não é TUDO, Ele não pode ser mais nada!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Paulo Brabo - 3

Mais um texto do Paulo Brabo que transcrevo abaixo, deixando o link original aqui:

21 de Novembro de 2011

O acalentado conforto da proibição
Confiscado por Paulo Brabo
Estocado em Manuscritos

Só os grandes articuladores da fé, que vivem e pensam em esferas distantes da multidão, é que falam da sua religião em termos profundos e categorias teológicas. Para uma pessoa normal, ou para alguém que observa de fora, uma religião é mais claramente definida pelas suas proibições.

O cidadão comum, muito sensatamente, prefere não ter de sentir-se à vontade entre termos como atonement, parousia, kenosis, koinonia e kairos. O cristão médio vive muito bem sem conhecer as quatro teorias da redenção, sem ter lido a autobiografia de Agostinho, sem pausar diante das agonias de Kierkegaard e sem dobrar-se com as angústias de Bonhoeffer. Ele intui que é possível aproximar-se de Jesus sem saber exatamente o que é graça irresistível, pecado original, amilenismo, soteriologia, hermenêutica, exegese, escatologia realizada, depravação total, arminianismo, imanência, universalismo, teísmo aberto ou monergismo. Muitos cristãos tarimbados sentem-se pouco à vontade para manusear sem proteção até mesmo conceitos que são mencionados pelo nome na Bíblia, coisas como santificação, graça, justificação, eleição e arrependimento. Até mesmo, olha, fé.

Em contraste com isso, os mais despreparados dentre nós sentem-se em geral prontos para elencar as interdições que envolve a nossa fé particular – ou, no mínimo, para zelar nominalmente pela aplicação delas. De longe, “minha religião não permite” é a profissão de fé mais comumente proferida da Terra.

É desse modo, elencando proibições, que na vida real falamos aos outros da nossa religião e inquirimos os outros a respeito da deles. É falando de proibições que orientamos ou corrigimos o caminho dos que se agregam ao círculo da nossa crença.

Há coisa de cinquenta anos as facções evangélicas e protestantes do Brasil cultivavam uma série de interdições em comum, a maioria das quais foram abolidas nesse intervalo, embora continuem a vigorar para um grupo ou outro. Crente não podia não podia beber, não podia ir ao cinema, não podia jogar futebol; não podia ouvir música do mundo, não podia entrar em boate, não podia fumar; não podia jogar, não podia fazer apostas e não podia dizer palavrão; se fosse mulher, não podia usar calça comprida, não podia usar maquiagem, não podia cortar o cabelo.

Corta para 2011: não só caíram todas essas proibições (ou a sua maioria), como a cultura e a tecnologia avançaram rápido demais para que as assembleias pudessem legislar com adequada austeridade proibições novas. Tarde demais para lembrar que crente não pode usar telefone celular, não pode ter conta no twitter e não pode ler o Paulo Brabo.

Isso não quer dizer que os cristãos tenham deixado de construir sua identidade entrincheirando-se atrás de suas mais sagradas proibições. Permanecemos, como sempre, particularmente interessados nas transgressões que dizem respeito ao corpo: da nossa pauta eterna aparentemente nada tem poder para riscar a contracepção, as relações homossexuais e o sexo não apaziguado pelo casamento.

Tanto a teologia quanto as proibições acabam sempre, portanto, encontrando o seu público. Para os teólogos, a essência da fé está nas filigranas e coisas profundas que a massa não tem como entender; para a massa dos fiéis, a essência da fé está nas proibições muito práticas que lhes fornecem por um lado uma identidade e por outro lhes garantem uma recompensa.

Uma das muitas coisas singulares a respeito de Jesus de Nazaré é que ele evitou por completo tanto as armadilhas teologantes dos letrados e eruditos quanto a religiosidade rasa, de proibição e recompensa, das massas.

Jesus não ignorava, naturalmente, que as duas abordagens tem muita coisa em comum. Em grande parte, a lista de proibições adotada pelos crentes é composta ou esboçada pelos religiosos letrados que residem acima deles na pirâmide socioeconômica. “Se não são os sofisticados o bastante para entender as minúcias da teologia em que se fundamentam,” raciocinam os líderes religiosos com relação ao seu rebanho, “que pelo menos não caiam naquelas transgressões mais severas. Façamos uma lista”.

Postando-se muito acima dessas mesquinharias, Jesus recusava-se, por um lado, a gastar um instante que fosse do seu tempo expondo ou discutindo teologia. Era contando histórias que ele desfiava indicações sobre a natureza e os desafios do Reino. Era no calor sem sofisticação de estradas, de refeições, de curas e de abraços – no calor da vida real – que ele mostrava como o Reino se deveria viver.

Por outro lado, ele recusava-se de modo consistente a fornecer ao seu público o conforto almejado das listas de proibições. Jesus não só negava-se a falar da vida abundante em termos de obediência a interdições, como repelia com exuberância as tentativas que as pessoas por vezes faziam de, às custas dele, reduzir a ética a uma resposta “sim ou não” para um problema complexo.

Naquela época não tinha qualquer penetração cultural a noção que todos conhecemos hoje, de que as motivações mais mesquinhas para se agir de determinada forma são o medo da punição e o desejo da recompensa. Jesus, no entanto, agia e ensinava como se fosse coisa muito evidente que uma ética de conduta regida por proibições é limitada e infantilizante. Muito mais ambicioso, o rabi de Nazaré sonhava com um mundo de autonomia individual e de decisões responsáveis: “por que vocês não decidem por si mesmos o que é certo?” (Lucas 12:57).

Ao mesmo tempo, Jesus desafiava constantemente a noção – pelo menos tão enraizada nos seus dias quanto nos nossos – de que simplesmente abster-se de descumprir os mandamentos era coisa capaz de garantir alguma recompensa ou de habilitar o adorador a exigi-la de Deus. Não contente em negar o conforto das listas de regras e proibições, o Filho do Homem insistia que na perspectiva divina nenhuma obediência tem recompensa ou a merece.

Na verdade, Jesus sugeriu mais de uma vez que a sensação de superioridade moral que acompanha uma vida de obediência estrita aos mandamentos é, em si mesma, a única recompensa que um religioso/carola deve esperar receber pela sua conduta.

Quem rege sua postura pela obediência aos mandamentos, insistia Jesus, não faz nada de mais e nada deve esperar em troca. A imitação de Deus requer uma bondade assertiva e uma generosidade vivida, não uma vida de recuos, desvios e melindres. Como ilustração espetacular desse modo de ver as coisas, em seu último discurso no evangelho de Mateus o Filho do Homem ousa condenar ao inferno não os pecadores que rebaixaram-se a fazer o mal, mas os religiosos que deixaram de fazer o bem.

Essa visão outorgava ao homem uma liberdade que tinha tanto de terrível quanto de sublime. O apóstolo Paulo maravilhou-se diante dela mais de uma vez. Por vezes usamos o seu “mas nem todas me convém” a fim de anular por completo o seu “todas as coisas me são lícitas”, porém isso é não fazer justiça à vertigem que ele detectou. Para recapturá-la seria preciso reescrever o seu hino como: “todas as coisas me são lícitas, e terei a hombridade de assumir responsabilidade por todas que eu fizer ou deixar de fazer”.

Um Deus que sonhava para os seres humanos uma vida de plena maturidade, sem recalques mas sem descontos, mostrou-se incrível e exigente demais para ganhar verdadeira popularidade.

Ao sugerir que seu Pai não recompensava a obediência, mas esperava uma gentileza assertiva mais do que uma obediência neurótica a regulamentos, Jesus requereu uma profunda e intransigente ressignificação da imagem que os homens faziam (e ainda tendem a fazer) de Deus. Não é de se admirar que poucas gerações de convertidos depois os cristãos já tivessem revertido à imagem tradicional da divindade, aquele que aceita os bons e rejeita os desobedientes.

Jesus, patrono da maturidade, perguntava a seus discípulos porque eles não discerniam por si mesmos o que era correto, e ensinava que as prostitutas chegam ao céu antes dos religiosos. Hoje em dia as igrejas, patrocinando a imaturidade, explicam que a Bíblia é uma norma inflexível de conduta, e ousam dizer a gente adulta, capaz de ler os evangelhos por si mesma, que criança boazinha é que vai para o céu.
 
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Após ler o texto, não resisti e escrevi um e-mail para ele. Segue o texto do e-mail que seria minha contribuição pessoal para o tema e, por isso, aqui é o melhor lugar para deixá-la registrada:
 
"Mais uma vez, leio seu texto (http://www.baciadasalmas.com/2011/o-acalentado-conforto-da-proibicao/) com a formidável sensação de alívio por alguém ter escrito tão bem o que vivo tentando dizer a mim mesmo. E, como me vejo no que fora descrito, tomo a liberdade de colocar um pensamento humilde sobre uma passagem mencionada. Na questão da liberdade sem limites que Jesus propunha e que Paulo apresenta em seu texto de I Cor 6:12, no qual afirma "que todas as coisas me são lícitas", não imagino que o foco contrário a essa frase seja a mencionada "mas nem todas me convém", e sim, o quase esquecido "mas eu não me deixarei dominar por nenhuma". A única coisa que não convém, passa a ser, então, aquilo que eu permito que me domine, que me toma a liberdade para a qual Cristo me chama e, inclusive, morreu para que eu a possua. Somente quem é livre pode amar verdadeiramente e até o fim, como Jesus propõe e age, sendo nosso exemplo. Por isso, na busca de aprender mais sobre essa liberdade plena, a frase que proibe (nem todas me convém) não pode ser desconectada da frase que liberta (todas as coisas me são lícitas) exatamente pelo elo que apresenta a liberdade (eu não me deixarei dominar por nenhuma - nem lícitas, nem ilícitas, nem convenientes, nem inconvenientes - mas amarei sempre, e c om minha vida, seja isso lícito, ilícito, conveniente ou inconveniente). É isso que gostaria de compartilhar com esse amigo virtual/invisível que tem expressado algumas de minhas inquietações e me feito imaginar que, ainda que feito de carne, não estou tão sozinho assim nesse universo. Abraços, em Cristo."

domingo, 20 de novembro de 2011

Justiça

A cada dia que passa fico mais irredutível de que esta palavra não existe a não ser em utopias. Ao menos, se existe (e quero continuar crendo que exista), não sabemos utilizá-la, pois, quando dizemos que algo não é justo, o nosso intuito parece sempre dizer: "isso não foi justo para mim", ou ainda, "eu me prejudiquei com isso".
Se é para ficar bravo pela falta de justiça, ou, na linguagem das Bem-aventuranças, ter fome e sede de justiça, é hora de compreendermos Justiça como sendo um Amor sem medidas, capaz de dar e perder, sem precisar pensar que há injustiças nesses atos.
Fome e sede de justiças são saciadas exclusivamente por atos de amor.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Imaginação

Imaginação é o querer demais.
E é essa querença de coração que faz tudo real. Que faz o desejo se concretizar.

Pranto em Dança

Meditando sobre o livro de Henri Nouwen "Transforma meu pranto em dança", pensei que o título é bem inspirador. Transformar pranto em seu antônimo, o riso, a alegria, é uma mudança que parece não confrontar diretamente o problema, pois, o pranto, é situação cotidiana em nossas vidas, bem como a alegria e o riso. Não parece adequado viver mascarado para ficar alegre. A questão parece que, para mim, pelo menos, nunca é "mudar" de estado, mas saber viver bem em toda situação.
Assim, em seu livro, Nouwen é magistal ao indicar que o sofrimento é uma dança e que o Criador nos convida a dançar e quer nos ensinar os passos.
Toda dança, ainda que triste, é bela em sua essência. E essa beleza transforma. Toda dança, ainda que represente a dor, eleva nosso espírito mais do que o riso.
Enfim, todo dançarino, após seu espetáculo, seja ele doloroso ou vibrante, se encontra extenuado, mas com uma satisfação tamanha que é, então, capaz de, com seus gestos desconhecidos pelos amadores mas tremendamente insólitos, convidar à dança aqueles que se encotram estáticos diante da dor.
A dança transforma, consola, agrega, e, ao mesmo tempo, não me obriga a disfarçar a dor mas a usa como mote para algo divino.