quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pensamentos

É interessante como a 'novidade' se apresenta:
às vezes, ela é o que não havíamos visto;
às vezes, ela é o óbvio;
e apenas em poucas vezes ela é o novo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Rubem Alves

Texto: Batizado
Link: http://www.rubemalves.com.br/obatizado.htm

Li esse texto ouvindo a mensagem na Betesda do Villy Fomin de 16/05/2010 (muito boa, por sinal) (Ver Blog). Descobri que prefiro ler o Ricardo Gondim a ouví-lo pregar! hehehe
O texto do Rubem Alves, todavia, é maravilhoso. Cada detalhe pensado para a perpetuação da memória e partilha do nome e vida da neta com e entre os convidados e familiares. A dignidade que lhe foi dada e o eco que sua vida passou a reverberar em todos que presenciaram o batizado.
A história de Kunta, também, foi formidável.
Terminando o texto, não contive as lágrimas, sentindo a presença de um Deus que nos acolhe e reparte conosco a sua/nossa humanidade. Que coloca em nós a eternidade para que eternamente possa nos amar com amor eterno!
Oxalá possa eu, também, transformar símbolos tão singelos (uva, vela, caneta, papel, nome) em experiências de eternidade e contato com o Eterno para meus filhos.
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O Batizado


Sérgio, meu filho, me fez um pedido estranho. Pediu-me que preparasse um ritual para o batismo da Mariana, minha neta. Eu lhe disse que, para se fazer tal ritual, é preciso acreditar. Eu não acredito. Já faz muitos anos que as palavras dos sacerdotes e pastores se esvaziaram para mim, muito embora eu continue fascinado pela beleza dos símbolos cristãos, desde que sejam contemplados em silêncio.
Ele não desistiu e argumentou: “Mas você fez o meu casamento.“ De fato. Lembro-me de como ele encomendou o ritual: “Pai, não fale as palavras da religião! Fale só as palavras da poesia!“ E assim foi. Foram textos do Cântico dos Cânticos, poema erótico da Bíblia, que deixa ruborizadas as faces dos beatos e beatas: “Teus dois seios são como dois filhos gêmeos de gazela! Teus lábios gotejam doçura, como um favo de mel, e debaixo da tua língua se encontram néctar e leite...“ Divirto-me pensando na cara que fariam Papa e bispos se lessem esses textos... Seguiram-se textos do Drummond, do Vinícius, da Adélia - tudo terminando não com a chatíssima Marcha Nupcial, mas com a Valsinha, do Chico, ocasião em que os convidados, moços e velhos, pegaram os seus pares e trataram de dançar. Foi bonito. Quando a coisa é bonita a gente acredita fácil.
Lembrei-me, então, de um trecho do livro Raízes negras - onde se descreve o ritual de “dar nome“ ao recém-nascido, numa tribo africana.
Omoro, o pai, moveu-se para o lado de sua esposa, diante das pessoas da aldeia reunidas. Levantou então a criança e, enquanto todos olhavam, segredou três vezes nos ouvidos do seu filho o nome que ele havia escolhido para ele. Era a primeira vez que aquele nome estava sendo pronunciado como nome daquele nenezinho. Todos sabiam que cada ser humano deve ser o primeiro a saber quem ele é. Tocaram os tambores. Omoro segredou o mesmo nome no ouvido de sua esposa, que sorriu de prazer. A seguir foi a vez da aldeia inteira: “O nome do primeiro filho de Omoro e Binta Kinte é Kunta!“ Ao final do ritual, após desenvolvidas todas as suas partes, Omoro, sozinho, carregou seu filho até os limites da aldeia e ali levantou o nenezinho para os céus e disse suavemente: “Fend kiling dorong leh warrata ke iteh ted“:“Eis aí, a única coisa que é maior que você mesmo!“
Essa memória me convenceu e tratei de inventar um ritual de “dar nome“, já que nenhum eu conhecia que me agradasse.
Organizei o espaço do living. Empurrei a mesa central, baixa, na direção da lareira. À cabeceira coloquei um banquinho velhíssimo - ali a Mariana se assentaria. Ao lado, duas cadeiras, uma para o pai, outra para a mãe. Na ponta da mesa, uma grande vela. É a vela da Mariana, vela que a acompanhará por toda a sua vida, e que deverá ser acesa em todos os seus aniversários. Ao lado da sua vela, duas velas longas, coloridas. E, espalhadas pela sala, velas de todos os tipos e cores. Na ponta da mesa, ao lado da vela da Mariana, um prato de madeira com um cacho de uvas.
Reunidos todos os convidados, começou o ritual. Foi isso que eu disse: “Mariana: aqui estamos para contar para você a estória do seu nome. Tudo começou numa grande escuridão.“ As luzes se apagaram enquanto, no escuro, se ouvia o som da flauta de Jean Pierre Rampal.
“Assim era a barriga da sua mãe, lugar escuro, tranqüilo e silencioso. Ali você viveu por nove meses. Passado esse tempo você se cansou e disse: ‘Quero ver luz!‘ Sua mãe ouviu o seu pedido e fez o que você queria. Ela ‘deu à luz‘. Você nasceu.“
A mãe e o pai da Mariana acenderam então a vela grande, que brilhou sozinha no meio da sala.
“Veja só o que aconteceu! Sua luz encheu a sala de alegria. Todos os rostos estão sorrindo para você. E, por causa desta alegria, cada um deles vai, também, acender a sua vela.“
Aí o padrinho e a madrinha acenderam as velas longas coloridas, e os outros todos acenderam, cada um, uma das velas espalhadas pela sala.
À chegada dos convidados eu havia dado a cada um deles um cartãozinho, onde deveriam escrever o desejo mais profundo para a Mariana. Continuei:
“Você trouxe tanta alegria que cada um de nós escreveu, num cartãozinho, um bom desejo para você. Assim, pegue esta cestinha. Vá de um em um recolhendo os bons desejos que eles escreveram. Esses cartõezinhos, você os vai guardar por toda a sua vida...“
E lá foi a Mariana com a cestinha, seus grandes olhos azuis, de um em um, sendo abençoada por todos.
“Todos deram para você uma coisa boa“, eu disse depois de terminado o recolhimento dos cartões. “Agora é a hora de você dar a todos uma coisa boa. Você é redondinha e doce como uma uva. Esta é a razão para este cacho de uvas. E é isso que você vai fazer. Seus padrinhos vão fazer uma cadeirinha e você, assentada na cadeirinha, vai dar a cada um deles um pedaço de você, uma uva doce e redonda...“
E assim, vagarosamente, a Mariana celebrou, sem saber, esta insólita eucaristia: “Esta uva doce e redonda é o meu corpo...“
Terminada a eucaristia, eu disse à Mariana:

“Agora, chegando ao fim, cada um de nós vai dizer o seu nome. Preste bem atenção. O nome é um só. Mas cada um vai dize-lo com uma música diferente. Porque são muitas e diferentes as formas como você é amada.“
E assim, iluminados pela luz das velas, cada um dos presentes, olhando bem dentro dos olhos da menina, ia dizendo: “Mariana“, “Mariana“, “Mariana“, “Mariana“...
Aqueles que olhavam os olhos da Mariana puderam ver que, à medida que ela ouvia o seu nome sendo repetido, eles iam se enchendo de lágrimas...
(Transparências da eternidade, Verus, 2002)

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Redação - Joinvile

Não sei se a reportagem é verdadeira, mas o texto da redação é muito interessante, principalmente, vindo de uma garota de 14 anos.

Eis a fonte: http://gfaro.blogspot.com/2009/08/hino-nacional-brasileiro-em-redacao.html


"Hino Nacional Brasileiro em redação.

Na cidade de Joinville houve um concurso de redação na rede municipal de ensino. O título recomendado pela professora foi 'Dai pão a quem tem fome'.

O primeiro lugar foi conquistado por uma menina de apenas 14 anos de idade. E ela se inspirou exatamente na letra de nosso Hino Nacional para redigir um texto.


*REDAÇÃO DA MENINA*

'Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi, o nosso Brasil chorar:

- O que houve, meu Brasil brasileiro? - Perguntei-lhe!

E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas:

- Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... antes, os meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil. Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.

Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado.

Pensei... "Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes?"

Pensei mais... "Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?"

Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.'

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pecadolândia

Abaixo o link para o texto sobre a "Pecadolândia" que acabei postando no blog errado !

http://igrejabatistamerces.blogspot.com/2008/07/domingo-06072008.html

domingo, 28 de junho de 2009

Davi - Apresentação na IBM

Mensagem para a apresentação do Davi.
IBM - Em 28/06/2009


O batismo é praticado, apenas, no caso de entrega pessoal e voluntária a Deus.
Esse reconhecimento de Deus como Pai e de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, mediante a atuação do Espírito Santo, é obra única de Deus, e cremos que deve haver alguma consciência por parte da pessoa que o assume para que possa ser entendido como viável.
Infelizmente, como não podemos entrar na cabeça dos outros e ver o quanto cada um entendeu dessa verdade, nós somente podemos nos responsabilizar pelas nossas atitudes pessoais e, quanto aos outros, nos responsabilizarmos apenas naquilo que eles externam, por palavras ou atos.
Mas, como o batismo tem para nós uma característica de pertença institucional, nós orientamos que a decisão pelo batismo deva ser tomada por todo aquele já reconheceu a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e isso, sem demora.
Todavia, no caso de uma criança, não podemos afirmar o quanto ela está ou não consciente desse fato. Por isso, nós, como pais, explicamos as consequências de todos os atos a nossos filhos e confiamos em Deus para que Ele conduza o coração dos nossos filhos a Ele mesmo.
Essa é a razão de não praticamos o batismo infantil, apesar de não sermos contra essa espécie de batismo, uma vez que o batismo não é condição de salvação, mas compreensão revelada por Deus para aqueles que andam com Ele.
Em contrapartida, acreditamos em uma Comunidade da Fé. Em algo que possa ser usado por Deus para conduzir o coração de nossos filhos ao Pai das luzes.
Nessa comunidade, nós e toda a nossa família menor (pai-mãe-filhos) estão incluídos.
Sendo assim, ao apresentarmos nossos filhos, creio que o fazemos tanto para Deus quanto para a Comunidade.
Para Deus, como oração, pedindo que o Pai conduza o coração e o caráter de nossos filhos como Ele tem conduzido o nosso, para mais e mais perto Dele, tornando nossos filhos semelhantes a Jesus.
Para a Comunidade, integrando a criança em nosso meio e assumindo um compromisso comunitário de caminhada em suporte uns com os outros. Nós, mais velhos (e aqui, todos, crianças mais velhas, adolescentes, jovens, adultos e idosos), recebemos a criança para amar e educar nos caminhos de Deus; auxiliando a criança e aos pais, sendo suporte e amando-nos mutuamente. E a criança, recebida, é integrada na comunidade para dela fazer parte.
Graças a Deus que nossas palavras não podem, por si mesmas, carimbar o destino de nossos filhos. Contamos sempre com o amor e misericórdia de Deus para cuidar dos nossos filhos melhor do que a gente. Porém, é bom compreendermos que nossas vidas e nossos desejos para nossos filhos devem ser expostos a cada momento, não apenas para Deus, como suspiros e anseios de nossas almas, mas para que nossos filhos compartilhem daquilo de bom que Deus colocou em nossos corações.

E aqui estamos para apresentar o Davi.
Um nome peculiar. O nome de um guerreiro, mas de alguém que aprendeu a se derramar na presença de Deus sem constangimentos, seja para a alegria ou tristeza.
Como desejo do coração dos pais, o próprio nome escolhido já diz muito, e queremos compartilhar esse desejo dos pais com Deus:
Sim, Deus, queremos que o Davi seja realmente, amado pelo Senhor.
E na sua família, esperemos que a história bíblica encontre eco. Da mesma forma que o amor uniu os corações de Jônatas e Davi em uma amizade que superou a morte, igualmente, que o coração desses irmãos se mantenha unidos.
Essa é nossa oração, Pai: que Jônatas, dado por Deus, o dom divino, e que Davi, o amado de Deus, possam frutificar como uma árvore plantada junto aos ribeiros da Tua presença, Pai, para que toda a família possa descansar à sombra do Dom (Jônatas) e do Amor (Davi) de Deus todos os dias da vida do pequeno Davi. E que essa Comunidade na qual estamos inseridos, a Tua Igreja, possa auxiliar a regar essa árvore para que o seu fruto seja doce.

Davi (amado de Deus)
Jonatas (dado por Deus)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Reino de Deus é um Reino de Amigos

Pesquisando sobre "o Reino de Deus é" no Google, encontrei essa página e gostei demais da abordagem e das citações do Ed René e do Padre Fábio de Melo que repito abaixo, indicando, primeiramente, o link para o blog. Aos autores do blog, parabéns pela história!

Blog REFORMADO - 04/06/2007

Ed René:


“Vc sabe que tem um amigo, quando vc já deu motivo para ele deixar de ser o seu amigo e ele não deixou de ser o seu amigo. Vc sabe que tem um amigo quando ele já sabe a seu respeito coisas suficientes para não querer ser mais seu amigo, mas mesmo sabendo essas coisas ele continua sendo o seu amigo. O Reino de Deus é uma parceria de amigos. O reino de Deus é um reino de amigos”
Padre Fábio de Melo:


"Se um dia na sua vida você tiver que saber quem na vida mais te amou, quais foram as pessoas que mais te amaram de verdade, é só descobrir as pessoas que mais te perdoaram.

É uma matemática fácil de ser feita. Porque na vida nós só temos o direito de dizer que amamos, depois de muitas outras vezes termos precisado perdoar alguém. Que o amor é justamente o momento em que você descobre o outro fazendo tudo errado, tudo ao contrário do que prometeu, e mesmo assim você ainda tem reservas aí dentro pra trazê-lo de volta, pra olhá-lo nos olhos no momento em que ele não merece, pra desconcertá-lo com seu perdão no momento em que ele esperava sua gozação. E nisso, Jesus é mestre!!!

Da mesma forma, se você quiser saber quem você mais amou é só começar a contar nos dedos as pessoas que você mais precisou perdoar. Porque o amor não existe fora do perdão. Se essas pessoas que dizem que te amam só porque você faz as coisas certas, cuidado!!! Porque no dia em que você não conseguir fazer tudo certinho e ela te dispensar, não fica triste não... É porque nunca te amou!!!"

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Atualizando um pouco o post, a frase do Ed também já foi dita pelo psicólogo suíço Hans Burky, conforme citação em artigo de Ariovaldo Ramos e este outro artigo do mesmo autor.
Ainda, achei um sítio no qual o autor diz que o texto colocado é a íntegra do texto acima do Padre Fábio de Melo, eis o endereço para conferir.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Pensando no 2º Mandamento

Pensando no 2º Mandamento que é semelhante ao 1º.

O maior mandamento é "Amar a Deus sobre todas as coisas".
O segundo maior mandamento, que é semelhante a este, é "Amar ao próximo como a si mesmo".

Depois continuo ...