sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Imaginação

Imaginação é o querer demais.
E é essa querença de coração que faz tudo real. Que faz o desejo se concretizar.

Pranto em Dança

Meditando sobre o livro de Henri Nouwen "Transforma meu pranto em dança", pensei que o título é bem inspirador. Transformar pranto em seu antônimo, o riso, a alegria, é uma mudança que parece não confrontar diretamente o problema, pois, o pranto, é situação cotidiana em nossas vidas, bem como a alegria e o riso. Não parece adequado viver mascarado para ficar alegre. A questão parece que, para mim, pelo menos, nunca é "mudar" de estado, mas saber viver bem em toda situação.
Assim, em seu livro, Nouwen é magistal ao indicar que o sofrimento é uma dança e que o Criador nos convida a dançar e quer nos ensinar os passos.
Toda dança, ainda que triste, é bela em sua essência. E essa beleza transforma. Toda dança, ainda que represente a dor, eleva nosso espírito mais do que o riso.
Enfim, todo dançarino, após seu espetáculo, seja ele doloroso ou vibrante, se encontra extenuado, mas com uma satisfação tamanha que é, então, capaz de, com seus gestos desconhecidos pelos amadores mas tremendamente insólitos, convidar à dança aqueles que se encotram estáticos diante da dor.
A dança transforma, consola, agrega, e, ao mesmo tempo, não me obriga a disfarçar a dor mas a usa como mote para algo divino.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pensamentos

Lendo o livro Fonctionnaires de Dieu de Eugen_Drewermann deparei com a seguinte frase: (transcrever depois).

Fiquei, realmente, pensativo nessa questão, principalmente, porque não tenho conseguido compreender mais o amor de Deus (amor falando de Deus não é possível utilizar a preposição 'de' como se fosse uma parte de Deus, mas, como a Bíblia O define como SER Amor, e não apenas tendo amor, o melhor seria Amor-Deus, eu penso), ou o Amor-Deus (ou o normal, ainda que não mais tão expressivo face o desgaste do termo, Deus-Amor) como nas formas que tenho sido ensinado até o momento.
Friso que a linguagem, para se referir a Deus, jamais será efetivamente conclusiva, mas, como não conseguimos nos expressar de outra forma além da linguagem, é assim que tem de ser.
O Mistério Divino, como escreveu Leonardo Boff, sempre nos leva à estupefação e ao silêncio contemplativo, porém, o silêncio é sempre após a busca e ao suor do estudo e pensamento, não antes, para não ser preguiçoso. Portanto, antes de me calar, preciso pensar, e pensando, escrevo para admirar o Mistério após a escrita. Creio que Deus não tem receio de nossos pensamentos.
Bem, continuo...
Não consigo compreender bem um Amor que faz seu Filho morrer. E isso contrasta pelas seguintes passagens:
- Se vocês são maus e sabem dar boas coisas aos seus filhos ...
- Eis o meu filho amado ... a ele ouvi!
- A parábola dos lavradores maus.
- O sinal de Jonas.
- A história de Jonas.
- João 1: 10-12.
- Abraão e Isaac (conforme a exegese de Hebreus).
- João 3: 16 (onisciência, vontade e determinismo - ou, saber o que vai acontecer não significa fazer acontecer, nem querer que aconteça)

Antes de ser herege, compreendo a imprescindibilidade da morte de Cristo para a nossa salvação. Mas preciso entender melhor o Amor-Deus e a responsabilidade minha em toda essa situação.

É fato indiscutível o relacionamento de amor/partilha/união (cumplicidade é uma palavra que gosto, embora pericorese seja um termo teológico intrigante e que estou aprendendo a entender) entre as pesoas da Trindade. Assim, o Pai ama o Filho (apenas para ficar entre esses dois). E, igualmente, Deus ama Sua criação (na qual os Seres Humanos estão incluídos. Outro absurdo do qual tenho tentado me livrar, e por vezes atos-falhos acontecem, é o de pensar que Deus quer salvar apenas os Seres Humanos, quando, na realidade, penso que a real salvação EM CRISTO engloba toda a CRIAÇÃO. Relevância ou Preferência, ou ainda, qualquer outra palavra que limite a salvação ao Humano, demonstra apenas nossa míope incompetência/arrogância/egoísmo e necessidade de sermos salvos)

continua depois ...

domingo, 6 de novembro de 2011

Papai Noel

Hoje, 06/11/11, foi a Confraternização de algumas famílias da turma do Mateus. Ocorreu no Clube Santa Mônica. Foi muito gostoso, mas a surpresa, para mim, deu-se há um mês atrás, no início dos preparativos para a festa.

De supetão, recebi um e-mail sobre a festa e a confirmação e, além disso, um pedido: Você poderia se vestir de Papai Noel e entregar os presentes das crianças? O pedido veio de forma tão casual e sincera que fiquei completamente sem jeito para recusar. Perguntei se não seria melhor outra pessoa; se já havia sido questionada outra pessoa para atuar nesse papel, e, para minha surpresa maior, eu tinha sido o primeiro a ser questionado para isso.
Como disse, fiquei sem o que dizer e acabei aceitando. Afinal, seria apenas se vestir de Noel, fazer Ho-Ho-Ho e entregar uns presentinhos. O que haveria de mais nisso.
Bem, primeiro, eu não sabia como fazer isso. Depois, eu nem acredito em Papai Noel. Aliás, eu até sou meio contrário a isso tudo. Mas, o convite foi tão inusitado que eu não sabia nem como me negar a interpretar o Seu Nicolau.

Deixei o tempo passar e alguns dias depois do convite, mais exatamente em 25/10/11, pensando sobre o assunto, me veio uma frase na cabeça: "A imaginação é o que nos permite criar o mundo. Ela é maior do que o real. Ela é o que faz com que nossos desejos se realizem. Vocês me desejaram e aqui estou. Eu sou fruto da sua imaginação, mas é a imaginação o que faz os desejos reais."

Assim, pensei cá com meus botões: Já que não acredito nesse negócio, acho que essa frase seria a saída para ligar esses dois mundos, ou seja, os que acreditam e os que já não acreditam mais. Então, achando que tinha resolvido tudo, fiquei mais tranquilo e esperei a data do evento.

Ontem, fiz os últimos preparativos, mas, ao acordar, me veio à mente todo um texto que eu precisava escrever em algum lugar antes que eu o perdesse. Fiquei muito feliz com a "revelação" que tive e acabei usando-a como o discurso do Papai Noel com as crianças. Foi, inclusive, uma lição para mim mesmo, e para não esquecer, registro o texto que escrevi, pois, quem sabe, algum outro Papai Noel "crente-descrente" possa utilizá-lo:

"Crianças, vamos conversar um pouco.
Sabe, eu tive de começar a entregar os presentes antes do Natal. Aliás, o que é que comemoramos no Natal? Isso mesmo, o nascimento de Jesus Cristo, e isso é muito importante. Então, tive de começar a entregar os presentes mais cedo porque como vocês sabem, há 7 bilhões de pessoas no mundo, e isso é muuuuuuuita gente. Então, para não atrasar, pensei em começar as entregar mais cedo.
E como eu tinha de começar por algum lugar, escolhi aqui em Curitiba, no Brasil. E isso por dois motivos. Primeiro, porque o Brasil é um lugar muito gostoso de viver. Eu moro no Pólo Norte e gosto de lá, principalmente, porque eu nasci lá e onde eu moro é muito tranquilo para trabalhar. Mas se eu fosse escolher outro lugar para morar seria no Brasil. Aqui é quente, gostoso, colorido, bonito. E, no Brasil, o melhor lugar para morar eu penso que seria Curitiba, pois, além de ser no Brasil, é o único lugar no mundo que faz frio todos os dias do ano, não importa a estação do ano, e isse me lembraria do Pólo Norte e evitaria a saudade.

Mas eu preciso contar um segredo para vocês, porém, antes, eu quero saber: Quem obedeceu ao papai/mamãe esse ano? E ao vovô/vovó? Titio/titia? Muito Bem! Isso é mesmo importante.
E quem ajudou aos professores e aos colegas da sala de aula, também? Parabéns! Os professores precisam da ajuda das crianças para que todos possam aprender juntos. E são vocês quem devem ajudar os professores e aos colequinhas. Combinado?!?

Mas agora, vou contar o segredo:
- Alguns, aqui, têm medo de mim, sabiam?!?
- Alguns outros, pensam que eu sou de verdade.
- Outros, pensam que sou de mentida.
- E alguns adultos acham que eu estou pagando um mico vestido desse jeito com todo esse calor.
E é correto dizer que todos estão um pouquinho certo em tudo isso que pensam. Vou explicar.

Quando o Papai do Céu criou a todos nós. É, viu só, Papai Noel também acredita no Papai do Céu e em Jesus. Essa é, realmente, a coisa mais importante de todas.

Então, quando o Papai do Céu criou a todos nós, Ele gostou tanto, mas tanto, tanto, tanto, de nos ter criado que colocou em nós duas características que só Ele tem.
Isso é o que a Bíblia chama de "imagem e semelhança de Deus". Só o Papai do Céu é quem tinha essas duas coisas, e Ele colocou em nós quando nos fez.
Sabiam que muita gente nem sabe direito o que isso significa? O que significa "imagem e semelhançade Deus"? Mas eu vou explicar esse segredo para vocês e vocês poderão explicar para os outros depois.
Então, quando o Papai do Céu nos criou, Ele colocou em nós a IMAGINAÇÃO.
O que significa Imaginação? É a capacidade que temos de sonhar com coisas boas.
Sabiam que o Ser Humano já conseguiu ir até à Lua? Voar? E criar coisas fantástivas como a bicicleta, a cama, o telefone e o sorvete?!?!?! É isso mesmo! E como que isso tudo aconteceu?
Alguém sonhou que queria ir para a Lua, e foi sonhando, e sonhando, e trabalhando nesse sonho, e o sonho foi ficando maior até que se concretizou. Com o telefone e o sorvete também aconteceu a mesma coisa. Alguém sonhou: Hummm!, que legal seria term um sorvete para dividir com meus amigos. E sonhou tão forte, e trabalhou tanto, e fez o sonho ser verdade!

Mas eu disse que o Papai do Céu tinha dado DUAS coisas para nós. A primeira é a capacidade de sonhar com coisas boas. E a outra é a capacidade de fazer o sonho se tornar realidade. Então, nós podemos sonhar com coisas boas e fazer essas coisas boas acontecerem!
O problema é que nós vamos crescendo e esquecendo dessas duas capacidade que o Papai do Céu colocou em nós. Vamos esquecendo de sonhar com coisas boas e de fazê-las ser verdade. Assim, começamos a sonhar coisas ruins e o que é pior, fazemos as coisas ruins acontecerem.

Então, o Papai do Céu ficou preocupado com tudo isso e, para lembrar as pessoas de ouvir o que o Papai do Céu tem falado e nós não temos escutado, Ele me pediu para lembar as pessoas dessas duas capacidades que Ele deu para nós.
Mas parece que só as crianças tem prestado atenção nisso que o Papai do Céu falou: que nós devemos continuar sempre sonhando com coisas boas e fazendo sempre com que essas coisas boas aconteçam. Os adultos esquecem disso, mesmo o Papai do Céu lembrando a todos de que se nós não formos como crianças, se não tivermos o coração como de criança, sonhando coisas boas e fazendo-as acontecer, jamais poderemos entrar no Reino dos Céus.

Assim, é por isso que eu trago os presentes para as crianças. É uma forma de fazer um pacto, um combinado com cada uma das crianças que recebem o presente. O combinado de que aquele que recebeu o presente vai continuar sonhando só com coisas boas e fazendo com que esses sonhos bons se tornem realidade. É isso que o Papai do Céu quer!

Vamos fazer esse combinado? Vamos só sonhar com coisas boas e fazê-las realidade?

Então, eu vou dar esses presentes para vocês sempre se lembrarem do nosso combinado, está bem?!?! Viva!!!
Ah! e vocês tem de lembrar o papai e a mamãe disso, também, para que eles possam sonhar com vocês!"

=
Acordei de manhã, coloquei o filme "A Família do Futuro" para as crianças assistirem, voltei para cama, me enrolei um pouco e escrevi o texto acima. Terminando de escrever, fiquei um pouco mais na cama, e como já estava na hora de sair para a Confraternização, subi para desligar a TV.
Já estava na música final do filme e a Giovana me disse: Que legal! O menino sonhou com todo o futuro! E como é que ele vai conseguir realizar tudo aquilo!?
Quase chorei quando ouvi isso! Só pude dizer: Ele vai conseguir realizar tudo no futuro porque ele sonhou com tudo e vai trabalhar para que tudo se realize.
Toda a "complexa" verdade de Deus expressa em um filme e "complexamente" compreendida por uma criança de 7 anos!
Fiquei feliz e esperançoso de que um simples e descrente papai noel também pudesse ser usado pelo Papai do Céu para se revelar a alguns pequeninos.

Como a Giovana também arrematou na volta da festa: Como pode, né!? Tinha de ser Papai Noel alguém que nem acredita em Papai Noel!
Ela que, quando me abraçou para pegar seu presente com o "papai noel", me disse que, no carro, ela iria tirar um sarro de mim. De fato, tirou mesmo!

Que Deus continue usando nossa imaginação para falar conosco e se revelar a nós!

PS. É claro que, falando "ao vivo" com as crianças naquela tarde o texto não ficou bem desse jeito, mas eu penso que a lição foi aprendida, se não pelos pequeninos, por mim, com certeza!

domingo, 2 de outubro de 2011

Filemom

Escrita por Paulo, provavelmente, na mesma época que escreveu a epístola aos Colossenses. Filemom deveria viver em Colossos e ter uma comunidade que se reunia em sua casa. Áfia e Arquipo, poderiam ser sua esposa e filho.
Algumas expressões são semelhantes em Colossenses e Filemom.
Os remetentes: Paulo e o irmão Timóteo (apesar de Paulo se definir diferentemente em cada uma das cartas ("apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus", "prisioneiro de Cristo Jesus");
Os votos iniciais: "a vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Orações:
a) sempre dou graças a Deus quando me lembro de vocês em orações;
b) "Oro para que a comunhão que procede da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos em Cristo" (Fil) - "orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual." (Col)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Paulo Brabo - 2

De tempos em tempos, em função da internet, nos irmanamos de algum desconhecido. Fazemos dele um ponto de referência. Lemos tudo o que conseguimos. E começamos a pensar como o outro. Não de forma idêntica, mas, sim, gostamos de encontrar eco em algumas esquisitices, ou, mesmo, ecoar aquilo que jamais teríamos coragem de dizer (ou, quem sabe, capacidade mínima para imaginar). O pobre infeliz a quem eu importuno por gostar de seguí-lo (apesar dele não querer seguidores) ultimamente tem sido o Paulo Brabo, que me contagiou, em especial, pelo texto já citado aqui, bem como pelo texto sobre o livro Culpa e Graça de Paul Tournier. Achei que precisava registrar isso, ao menos, para me desculpar com ele :-).
Por último, um extrato de outro texto recente e que muito me agradou:
"Biblicamente falando – falo da minha fé -, a todos caberá receber o que não esperam, isto para alguns é graça, para outros será justiça."

Até a próxima, caro Paulo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Paulo Brabo

Segue link para um texto do Paulo Brabo a respeito da Igreja, Sexo, Homossexualidade, Amor.

A Bacia das Almas fomentando uma das perspectivas, para mim, mais esclarecedoras a respeito dos temas tratados pelo autor. Os ideais cristãos da igualdade extrema e do amor incondicional. Um grande texto, difícil de ser digerido e com desdobramentos inimagináveis para o momento. Acho que devo mandar esse texto para o André Egg :-).

Eis o link: Sexo entre pares: o homem romântico e a era das relações igualitárias