quinta-feira, 11 de julho de 2013

Perguntas que as crianças respondem

Você vai para o céu?
Não! O Céu é que vem para cá!

Onde Deus está?
Ele está no meu coração! Dentro de mim.

Quem é a mãe de Jesus?
Maria

Quem é o pai de Jesus?
Deus

Como eu faço para ver Deus?
Olhando dentro dos olhos do meu amigo.

Como eu faço para estar perto de Deus?
Ele está em mim! Ele sempre está perto de mim.

Quando Deus está ao nosso lado?
Quando estamos perto do nosso amigo.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Corvo




 O CORVO *
    (de Edgar Allan Poe)
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.



É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante.
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.



Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,


Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."


Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,


Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".


Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais


Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,



Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,


Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"



Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"


Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"


Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais! 

Fernando Pessoa

http://www.insite.com.br/art/pessoa/coligidas/trad/921.php
 The Raven *
    (by Edgar Allan Poe, first published in 1845)
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.
" 'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door;

Only this, and nothing more."

Ah, distinctly I remember, it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow, sorrow for the lost Lenore,.
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore,

Nameless here forevermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me---filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door,
Some late visitor entreating entrance at my chamber door.

This it is, and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is, I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you." Here I opened wide the door;---

Darkness there, and nothing more.

Deep into the darkness peering, long I stood there, wondering, fearing
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word,
Lenore?, This I whispered, and an echo murmured back the word,

"Lenore!" Merely this, and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping, something louder than before,
"Surely," said I, "surely, that is something at my window lattice.
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore.
Let my heart be still a moment, and this mystery explore.

" 'Tis the wind, and nothing more."

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately raven, of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;
But with mien of lord or lady, perched above my chamber door.
Perched upon a bust of Pallas, just above my chamber door,



Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly, grim, and ancient raven, wandering from the nightly shore.
Tell me what the lordly name is on the Night's Plutonian shore."

Quoth the raven, "Nevermore."

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning, little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door,
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,


With such name as "Nevermore."

But the raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered; not a feather then he fluttered;
Till I scarcely more than muttered,"Other friends have flown before;
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."

Then the bird said,"Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master, whom unmerciful disaster
Followed fast and followed faster, till his songs one burden bore,---
Till the dirges of his hope that melancholy burden bore

Of "Never---nevermore."

But the raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;,
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore,
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore

Meant in croaking, "Nevermore."

Thus I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er

She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee -- by these angels he hath
Sent thee respite---respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, O quaff this kind nepenthe, and forget this lost Lenore!"

Quoth the raven, "Nevermore!"

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
Whether tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--
On this home by horror haunted--tell me truly, I implore:
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me I implore!"

Quoth the raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil--prophet still, if bird or devil!
By that heaven that bends above us--by that God we both adore--
Tell this soul with sorrow laden, if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden, whom the angels name Lenore---
Clasp a rare and radiant maiden, whom the angels name Lenore?

Quoth the raven, "Nevermore."

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul spoken!
Leave my loneliness unbroken! -- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"

Quoth the raven, "Nevermore."

And the raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming.
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor

Shall be lifted--- nevermore!

Edgar Allan Poe

http://www.insite.com.br/art/pessoa/coligidas/trad/theraven.php

http://www.youtube.com/watch?v=IxoTggPenGE

http://www.youtube.com/watch?v=Oz9OThFqkTI

http://www.youtube.com/watch?v=TcN84WZMzD4 - Vincent Price

http://dotsub.com/view/58591756-7128-488c-bfe9-22463d46d907 - Simpsons

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sagrado e Profano

A tendência do Ser Humano é profanar o sagrado.
O sagrado é o normal, o natural, o criado por Deus. O sagrado não é o separado em razão de o não sagrado ser a normalidade.
Tudo é sagrado. O não sagrado, o profano, somente surge por consequência da profanação. Ele é posterior ao sagrado e não o contrário.
O Ser Humano, todavia, é contumaz em profanar o sagrado, e, por isso, o profano parece ser o natural e o sagrado é o que se consegue 'separar' da profanação.
TUDO é sagrado, e nós temos a 'competência' de profanar tudo: comida, sexo, relacionamentos, corpo, natureza, tudo.
Mas a profanação nunca aparece de forma grotesca, ela sempre acontece de forma gradativa e aceitável, como sendo 'a melhor opção', 'a melhor escolha'.
Quando vemos, aquilo que era uma boa ideia já se tornou profano e não percebemos.

O episódio de Jesus expulsando os comerciantes do templo em João 2:12-25 é peculiar nesse sentido.

O templo foi construído e os vendedores não entravam nele.
Depois, pareceu ser uma boa ideia permitir que se vendessem os animais 'para ajudar' o povo.
Depois, pareceu ser mais coerente e 'bom' que as vendas acontecessem dentro do templo, pois, qual a diferença entre comprar fora ou dentro do templo? Sempre há bons motivos para qualquer coisa.
Até que o que era 'bom' profanou completamente o sagrado.

E fazemos isso em qualquer área.
Temos relacionamentos descartáveis; sexo é sinônimo de felicidade; comemos sem nem sequer perceber o que temos no prato. E isso apenas para ficar em alguns exemplos.
E, em relação à comida, parece que esquecemos que Jesus se revelou no partir do pão para os discípulos em Emaús. Esquecemos que a grande celebração cristã - a ceia - é o momento de comensalidade e partilha ao redor da mesa.

Sempre temos de estar atentos ao que fazemos de 'bom' e se o 'bom' não é, na verdade, a profanação do sagrado. E isso em qualquer área da nossa vida.
E o que sela definitivamente a profanação é quando a 'verdade' criada se impõem com a frase: "Isso sempre foi assim!"

Essa frase deve sempre se analisada com cautela e verificar o que queremos assumir/impor como 'verdade', pois NADA NUNCA 'sempre foi assim'.

Depois de expulsar os comerciantes, estes questionaram Jesus.
Mas a consequência da nossa acomodação com o profano nos faz negligenciar por completo o que Jesus diz.
A reação normal dos comerciantes contra Jesus seria a de um linchamento, já que a pergunta que fizeram denota tal ira: Você fez isso a mando de Deus? Prove!
A resposta de Deus é tão absurda diante da nossa compreensão profanada do sagrado que a desconsideramos completamente, como sendo dita por um lunático.
E foi isso o que ocorreu.
Não lincharam Jesus, não compreenderam sua resposta, e nem mesmo os discípulos a entenderam, pois o texto indica que somente compreenderam o que aquilo tudo significava depois que Jesus ressuscitou.

E o texto ainda afirma que muitos creram nele.

Mas Jesus não acreditava neles, pois conhecia a natureza humana.

Com Pedro foi assim! Ele disse que não abandonaria Jesus, mas sabemos o que ocorreu. E sabemos o que Jesus fez.

E ainda é assim conosco!

Temos a 'competência' de sermos incompetentes com a nossa manutenção do sagrado. Sempre profanaremos a criação de Deus.

Mas a questão maior é que Deus não deixa de ser Deus e se dirigir a nós por causa disso.
Ele sabe, mas isso não impede o Seu relacionamento conosco.

Ele conhece o que somos, quem somos, o que fazemos, o que desejamos, mas ainda, apesar de nós, veio e tabernaculou conosco.

Essa é a esperança.

terça-feira, 7 de maio de 2013

AGRADECIMENTOS

Encontrado em uma CLT antiga:

Agradecemos a Ti, ó Deus, pelas misericórdias dispensadas diariamente a nós e pela graça que nos é concedida mediante Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Deus.
Obrigado por ter começado a nos transformar em instrumentos de auxílio e consolo para aqueles que necessitarem e que Teu Espírito nos ajude a cuidar de pessoas e não de doenças.
Obrigado por ter começado em nós a obra de nos conformar a imagem de Seu Filho para servirmos de auxílio e consolo para aqueles que necessitarem, com o teu Espírito Santo nos ajudando a nunca cuidar de doenças e, sim, de pessoas.
E que Teu Espírito Consolador nos ajude a não somente tratar as pessoas, mas consolá-las na dor e conduzi-las a Ti.

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Àqueles que souberam nos amar a proteger durante toda nossa vide e tiveram a sabedoria de nos permitir seguir nosso próprios caminhos no momento certo.
Agradecemos por todo carinho e respeito e repreensão, pois, agora, olhando para trás, podemos perceber que vocês acertaram.
Obrigado por nos ajudar a crescer e colocar ...

... na direção do Alto.

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Lembranças ...

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Para quê Deus criou o Humano?

Pensando nisso, relembro o Catecismo de Westminster:





Recebi, hoje, o seguinte texto:
Para quê Deus criou o homem?

Deus não criou o homem porque se sentia solitário; mas criou-o tendo em mira a Sua própria glória.
D. James Kennedy - Verdades que Transformam, pag. 112

Tenho algumas considerações a fazer:
1) eu preciso parar de pensar que Deus criou o homem, e, sim, o Humano; :-)
2) igualmente, preciso parar de pensar na criação do Humano fora da Criação total, como se o restante da criação não fosse importante (ou fosse menos importante), ou como se o Humano não estivesse intrinsecamente integrado no restante da Criação. Aliás, foi apenas no 6º dia que Deus disse: "muito bom" para TUDO, e não apenas para a criação do Humano. MUITO BOM é toda a criação integrada e com as coisas em seus devidos lugares;
3) Deus não precisava criar nada, pois não lhe é possível atribuir necessidade alguma para ser suprida;
4) inclusive, acho que sou obrigado a pensar assim, nem mesmo para a Sua Glória;
5) então, se a Glória de Deus não é acrescida em nada por nada que Ele mesmo faz, afirmar que a criação do Humano é "para Sua Glória" deve ser compreendido como?
6) creio que Tudo o que Deus faz redunda em Glória a Si mesmo, mas isso não é 'para', mas simples consequência do agir de Deus que não pode fazer nada que lhe traga reprovação. Isso faz com que todas as ações divinas produzam glória a Deus;
7) o Humano deve compreender esse ciclo e se integrar a ele. Isso fará com que suas atitudes humanas também 'glorifiquem a Deus' por consequência e não apenas por obrigação;
8) todavia, acho que a criação do Humano é melhor expressa na última apresentação do catecismo: "gozá-lo para sempre".
9) o Humano (bem como toda a criação) é um poema de Deus (Efésios 2: 10 apresenta essa realidade em relação à nós);
10) assim, acho que Deus cria o Humano para entrar nele e este Humano entrar em Deus;
11) a palavra, para mim, não é 'glorificar', mas interpenetrar-se, relacionar-se, ou, em uma expressão singela, SER AMIGO;
12) o desejo divino de relacionamento com a criação era tamanho que Deus vinha de encontro ao Humano na viração do dia, como um compadre que chega no fim da tarde para tomar um café e ficar até a noite contando causos;
13) o desejo de partilha e pertença mútua era tão grande que Deus se apresenta como posse Humana e o Humano como posse divina (serei SEU Deus, e vós sereis MEU Povo);
14) o desejo de convivência era grande o suficiente para fazer com que os contatos na viração do dia não fossem suficientes (pois o Humano se afastou de Deus), e Deus desejasse tabernacular com o Humano (o que foi feito no deserto, em Jesus Cristo, e, finalmente, pelo Espírito Santo);
15) por isso, a expressão gozá-lo (desfrutá-lo) para sempre é mais relevante para mim e demonstra mais o caráter amoroso de Deus do que, 'simplesmente', 'glorificá-lo'.


terça-feira, 12 de março de 2013

Do encontro à fuga e ao reencontro

De uma pergunta das crianças segue uma história:
Como nasceu o Diabo?

Um dia, o Diabo quis ser maior do que Deus.
Então, ele se afastou de Deus.
O Humano, por sua vez, quis ser igual a Deus.
Então, ele se afastou de Deus.

Quando queremos ser maiores ou iguais a Deus, nos afastamos de Deus.

Mas Deus não quis ficar longe de nós.
Assim, Deus desceu até onde estávamos e habitou entre nós.
Seu objetivo é descer até mais baixo do que onde estamos e nos conduzir para sermos sermelhantes ao Filho do próprio Deus.

Assim, embora nosso esforço em ser igual ou maior do que Deus, isso nos afasta Dele.
É o próprio Deus quem vem ao nosso encontro e morada para que nós pudéssemos ser semelhantes a Deus.
Bastava esperar em um relacionamento com Deus para que o desejo de ser igual a Deus fosse suplantado pela determinação de Deus em fazer-nos semelhabtes ao seu primogênito.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Diabo e a Encarnacao

Ouvindo definicao sobre o que e' o diabo: o espirito do sistema de poder.

A afirmacao mais interessante, porem, foi a de que o diabo nao tem capacidade de encarnar. Por isso ele apenas possui.

Somente Deus, criador da materia, pode se encarnar.

Duas consideracoes: a) sendo espirito, pode estar em qqr lugar, nao de forma onipotente,todavia.
b) sendo espirito, nao posso relaciona-lo diretamente com ninguem.

Historia da salvacao:
O Diabo queria ser maior do que Deus.
O Humano queria ser igual a Deus.
Consequencias de tentar ser maior ou igual a Deus: nos afastamos de Deus. Essa ja e nossa condenacao.
O que Deus faz: vem ao nosso encontro e se encarna para permitir que possamos voltar a integrar a familia adotiva de Deus.