sexta-feira, 17 de junho de 2011

Escravidão em Liberdade

17/06/2011

Dono de mim
Certo em tudo
Tinha a vida em minhas mãos

...

Até que a vida ficou grande

Minhas mãos nada podiam reter

Dono de nada mais eu me tornei

A vida não corria mais em mim

A vida não tinha mais razão

....

Dono de nada mais, sou
Mas feliz estou.
Servo de todos
Escravo de Deus
Orelha furada
E amado do Pai.

======
para melhorar ...

terça-feira, 17 de maio de 2011

História de Fadas

Começar esta história com "era uma vez" parece não fazer jus a sua importância, pois o que vai ser narrado não aconteceu apenas uma vez em um lugar distante. Ela continua acontecendo ainda hoje.
Mas, como é na imaginação que a realidade se concretiza, parece mesmo que o "era uma vez" imaginário é capaz de trazer mais realidades do que os fatos indicados por datas ou outras demarcações espaço-temporais precisas.

É preciso, ainda, esclarecer que a linguagem com que iniciamos essa narrativa é apenas introdutória. Não se carece de rococós linguísticos para falar ao coração daqueles com quem pretendemos dialogar. As frases simples comunicam muito mais do que os períodos longos.
E por falar em períodos longos como o tempo no qual os eventos ocorreram, como faz tempo que desaprendemos a falar de forma simples e explicar as coisas de forma inteligível para a criança que habita em nós, mas que continuamente deixamos de castigo, peço as escusas iniciais devidas sobre as vezes em que este narrador terá de se fazer valer de pensamentos adultos ao aprensentar os fatos históricos. Definitivamente, não é fácil escrever o que apenas crianças conseguem expressar.
Mas, vamos à história ...

... Era uma vez uma fada chamada Mariana.
Mariana nasceu fada, porém, como é fato conhecido e comprovado pelos vários contos de fadas que escutamos nossos pais nos contar, existem fadas de vários tipos.
Há aquelas que ajudam princesas. Há outras que fazem mágicas. Há fadas que cuidam da natureza. E muitas outras profissões que cada fada pode realizar.
Assim, nascer fada é só o começo, pois mesmo as fadas têm sonhos. E até chegar ao momento correto, ficam imaginando o que irão fazer durante sua vida.
Com Mariana não poderia ser diferente. Ela sonhava em ser uma fada importante, que fosse especial.

Não bastava que seus pais a ensinassem constantemente que ela era especial apenas por ser ela mesma, sem precisar provar nada para ninguém. Mariana imaginava que a profissão correta é iria torná-la especial.

Mas, acontece que no mundo das fadas, não são as próprias fadas quem escolhem as atividades que realizarão. Existe um Conselho que analisa quais as atividades que as fadas realizam que mais precisam de funcionários e, no momento adequado, as fadas são indicadas para realizarem estas atividades.

Isso ocorre porque a cada dia que passa menos fadas existem, o que é devido a dois problemas principais.
O primeiro é o fato de que os pais de fadas deixaram deliberadamente de terem várias fadinhas.
O comum, atualmente, é que haja apenas um/uma filho/a para cada casal de fadas. Consequência da modernidade, mas, igualmente, consequência do 2º fator que se segue.
A segunda razão para a redução da população de fadas era que as pessoas deixavam de acreditar nelas quando cresciam. Só conheciam as fadas enquanto eram crianças, mas logo que começavam a agir como adultos abandonavam as fadas.

É preciso, agora, dizer a época dos fatos narrados.

Já era tempo da fada Mariana ter designada a sua atividade como fada, e ela estava muito ansiosa. Porém, esse momento da história coincidiu com uma época em que as crianças sequer tinham o direito de serem crianças.
Quase em todas as atividades havia falta de fadas e o Conselho decidiu designar Mariana para ser uma fada dos dentes.
Fada dos Dentes?!?!
Isso mesmo! Mariana teria a responsabilidade de realizar as trocas dos dentes por moedas.
Atividade fundamental para as fadas, pois era ainda um dos poucos momentos em que os adultos incentivavam as crianças a acreditarem em fadas.
Mas, como é fácil de compreender, a atividade não tinha muito do glamur que Mariana esperava. Aliás, para Mariana foi uma decepção.
O que há de especial em trocar dentes velhos por moedas ainda mais velhas??
Bem, não havia o que fazer. O que estava decidido estava decidido, e não poderia ser mudado.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Deus Jurídico

Apesar de ser advogado, não concordo com a forma jurídica para expressar Deus.

Ele, de fato, pode ser expressado por várias formas e nuances, inclusive, há textos bíblicos expressos nos quais podemos encontrar expressões comuns ao "juridiquês" como JUIZ, ADVOGADO, CÉDULA DE DÍVIDA, e outras mais. Todavia, das várias formas que podemos expressar Deus em nossa linguagem, para hoje (se serviu para o passado isso foi relevante no passado), considero que a forma jurídica é a menos adequada.

Para isso, não preciso de referências ou citações que me fundamentam o pensar. O melhor, no caso do falar sobre Deus, é que citações de pensadores são desnecessárias quando Deus se expressa em relacionamentos, em amizade, em família. (Eu bem sei como é relevante observar o agir de Deus em vários outros irmãos com o passar dos tempos, mas isso não serve como 'argumento de autoridade', pois toda a autoridade e argumento deve ser, e pode ser, confrontado. Como os irmãos de Beréia assim fizeram com Paulo).

Agora, um pensamento que vez ou outra me tem assaltado. Não refuto os fatos que estão expressos na história e no meu coração. Porém, o que não tenho conseguido admitir é que uma explicação jurídica possa servir de resposta final à questão. Se tenho resposta?! Não! Aceito os fatos e as verdades nele expressas, mas não consigo mais aceitar a interpretação desses fatos sob um arcabouço jurídico determinístico.
Como esse blog serve para apresentar minhas indagações para mim mesmo, escrevo o que penso para depois pensar melhor.

Deus não pode ter "entregue" seu Filho para morrer, como consequência do cumprimento de uma Lei ou algo assim. O que penso que deve ser compreendido, nesse caso, é o que a Parábola dos lavradores maus indica (Mateus 21: 33-46).
Da mesma forma que Deus "se arrependeu" (sem se arrepender) Deus "não acreditou" (mesmo sabendo que assim seria) que os homens eram capazes de vê-Lo e não O reconhecer. Deus "não acreditou" (mesmo sabendo que assim seria) que os Humanos seriam capazes de, diante do próprio Deus, revelarem a intenção pior de seus corações: matar o filho para ficar com tudo. Matar o Filho de Deus para ficarem consigo mesmos. Matarem o Filho de Deus para "serem iguais a Deus", "para fazerem seu nome grande" como em Babel.

Mas em Seu amor, Deus não se manteve afastado após a morte de Seu Filho, mas o Ressuscitou e veio requerer o que é Seu, como na Parábola.
Graças a Deus por isso.

Não sei se isso refresca alguma coisa para alguém, mas, para mim, já ajuda a fugir das metáforas jurídicas de Deus e compreender um pouco mais da questão do Seu Beneplácito, Sua Vontade Livre e Soberana para agir em Amor, e não condicionado por lei nenhuma, nem pela lei do pecado ou de alguma outra coisa que inventamos que seja capaz de obrigar Deus a agir de uma forma ou de outra.

Como disse, o pensamento não fica concluído, mas apenas iniciado.
O Pai de Amor não "entregou" Seu Filho Amado para morrer, mas, antes, o enviou para Se Revelar a nós. E "nós não o recebemos, mas a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus".

terça-feira, 10 de maio de 2011

História de Fadas

Ontem (09/05/11) estávamos no carro e a Gi começou a contar uma história fantástica. Era mais ou menos assim ("mais ou menos" porque adultos nunca conseguem retratar o que crianças dizem): havia em um mundo duas espécies de fadas, as boas e as más. Elas eram fadas dos dentes. Mas um dia, Mariana, uma fada boa, cansou de trocar dentes por moedinhas e resolveu inovar. Começou a trocar dentes por sonhos. E como ela era uma fada boa, os sonhos eram sempre bons. Para dar um clima na história, havia, também, outras fadas más que começaram a trocar dentes por sonhos maus.
Que história fantástica!!
Talvez seja por isso que  ninguém mais coloca dentes para trocar, com medo dos sonhos maus.
Acho que recebi uma pérola da minha filha!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Poema para ver crescer

Poema para ver crescer - 13/04/2011


Vai, sem pressa, vai.
Com um sorriso maroto.
Com os olhos famintos, devorando o mundo a conhecer.

Vai, sensível, vai.
Com o ombro disposto a suportar
Todo aquele que a vida lhe trouxer
Todo aquele que amigo se fizer.

Vai, sempre herói.
Não se importanto com rótulos.
Não temendo a luta para Ser.
Humano, sempre amando a todos que encontrar.

Filho, amigo, meu herói.
Vai, com a benção do Pai.
Tu serás maior, tu serás melhor.

Vai, amado, vai.

Mas lembre-se de voltar,
Como sempre, correndo,
Com os braços abertos, uma risada gostosa, uma 'PAIlavra' em grito.

O meu colo estará pronto para receber
aquele que Deus me deu
para sempre me ensinar
tudo o que sem você fui incapaz de aprender.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Renovando Votos

A Grazi teve a brilhante ideia de fazer uma comemoração para Jo e Re na IBM pelos 10 anos de casados. O que era para ser singelo, ganhou proporções gigantescas. Muito Legal! E me deram a honra de celebrar o evento amanhã, 12/02/2011.
Escrevo aqui a mensagem para registrar minha alegria em participar de momento tão singular!
Antes, pausa para comédia.
Falei para a Gi que iríamos celebrar o casamento do Tio Jô e ela disse que eles já eram casados. Falei que era para renovar os votos. E ela disse que não queria votar em ninguém. Disse que não era isso, e ela disse que votaria para os dois ficarem casados! Criança sabe mais das coisas do que nós, que nos dizemos adultos. Acho que esse negócio de adulto é coisa de criança que aprendeu como mandar nos outros (hehehe).

***
Com a honra de celebrar momento tão significante, pensei em várias coisas.
Algumas delas o Jô já fez: chamar para o evento os amigos que já não estão mais participando da IBM conosco e chamar o Cláudio para fazer uma parte da cerimônia. Que bom que ele pensou nisso também!

Vamos imaginar um pequeno roteiro.
- Entrada do casal com música; (5 min)
- Agradecimentos; (1 min)
- Mensagem (10 min);
- Música; (4 min)
- Alianças (Cláudio Oliver); (10 min)
- Votos; (5 min)
- Vídeo/Música; (5 min)
- Mensagem Ceia (5 min)
- Ceia coletiva; (5 min) (Música) (Sê Bem-vindo)
- Despedida (5 min)
- Música de saída

Assim, o Cláudio fica encarregado da mensagem das Alianças e dos Votos (essa talvez, se ele quiser). Acho que as duas partes serão apenas uma.

A mim, competirá uma mensagem em duas partes (conforme o roteiro que propus).

Agradecimentos:
Gostaria, em nome do casal, de agradecer a presença de todos nesse momento que creio ser tão importante para Jovane e Renata.
No início da ideia, achei que seria algo simples, mas com o amadurecer da semente plantada por mãos tão cuidadosas como as da Grazi e demais amigos que imaginaram esse momento, pude ver florescer um sentimento ímpar que acredito ter sido compartilhado tanto pelo casal, quanto por todos os que se esforçaram para que este momento se concretizasse e que, imagino, tenha também brotado naqueles que foram especialmente convidados para esse evento.

A mim, todavia, coube a honra de poder conversar diretamente com o casal e, olhando em seus olhos, tentar abraçá-los em nome de todos os que aqui se encontram através das palavras que separei para expressar a gratidão a Deus por todo o tempo de convívio com vocês e pelo relacionamento de um para com o outro durante esses 10 anos de casados.

1ª Mensagem
O texto que uso para introduzir a mensagem encontra-se em Lamentações de Jeremias 3: 21 - e conforme a NVI é assim descrito:  "Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança:"

Como não podemos guardar tudo o que alguém diz, vou resumir essa mensagem de gratidão a Deus pela vida de vocês em apenas uma palavra: MEMÓRIA.

De fato, uma das coisas que mais me alegra em Deus é a capacidade que Ele colocou em nós de lembrarmos dos eventos da nossa vida. Alguns podem pensar que isso é algo ruim, mas eu tenho sido convencido de que mesmo lembrando de coisas não tão boas assim, a capacidade que temos pela MEMÓRIA é dádiva de Deus, pois, ainda que o passado tenha sido ruim, ele serve, ao menos, para comprovar e nos lembrar de que "até aqui o Senhor nos ajudou".

Mas é em momentos como este, que hoje celebramos, que a dádiva da MEMÓRIA se comprova divina.

É certo que não estamos aqui da mesma forma que há dez anos atrás torcendo para que os noivos pautem suas vidas em Cristo Jesus e possam ter um casamento abençoado.
Não estamos aqui para orar a Deus que esse casamento dê certo.
Não estamos aqui apenas como convidados dos noivos para celebrar uma festa que é exclusivamente deles.


Não, nada disso!
A MEMÓRIA que Deus deu a todos nós, inclusive a este lindo casal, é que nos faz estarmos aqui, hoje, para relembrar todas as bençãos que Deus tem derramado no caminhar de vocês. E por isso podemos celebrar a vida que eles têm tido de comunhão e relacionamento íntimos após 10 anos de casados.

Não precisamos, hoje, torcer para que o casamento dê certo. Podemos lembrar de cada momento em que ele poderia ter dado errado e Deus atuou na vida desse casal de formas maravilhosas para permitir que eles continuassem caminhando juntos e vencendo as dificuldades.

Não precisamos, hoje, torcer para que Cristo faça morada na vida deles. Hoje, é o momento da MEMÓRIA trazer-nos as lembranças de quantas vezes sentimos o amor de Cristo através do Jovane e da Renata.

Hoje, a MEMÓRIA que Deus nos deu não nos permitiria, creio que a nenhum de nós, sermos apenas "convidados" dos noivos, externos ao viver desse casal. Hoje, a festa não é somente de vocês. A celebração é nossa também, pois vocês são mais que anfitriões, são nossa família.



E uma das melhores coisas da MEMÓRIA é que eu nem preciso mencionar nenhuma dessas situações, pois a própria MEMÓRIA está, nesse momento, se encarregando de trazer à lembrança de cada um aqui esses episódios da atuação de Deus na vida de cada um de nós através do canal de Deus que têm sido Jovane e Renata.

Mensagens de casamento parece que são sempre para os convidados e os noivos são pretexto para o pregador. Aqui, a mensagem também será para os convidados, mas os casal não será pretexto, mas objeto da mensagem.

Na vida de todos, aqui, creio que a MEMÓRIA colocará em destaque especial a vida desse casal.
Creio que todos já aprenderam algo de Deus com essas vidas, e isso falo para dizer o quão importantes vocês têm sido para mim (e eu sou apenas um exemplo das vidas que vocês impactaram nesses 10 anos de casados e alguns tantos anos de convívio com vários dos presentes)

Vocês me ensinaram que Deus é mais poesia do que documentário.
Vocês me ensinaram a sonhar. E não apenas isso, me permitiram sonhar junto com vocês. E, demonstração de amor divino, me incluíram em seus sonhos.
E como eu lhes agradeço por isso! E como eu tenho sido feliz em poder conviver com vocês e perceber Deus agindo em suas vidas e através de vocês na minha e na de tantos outros.
Agradeço a Deus pela MEMÓRIA que me traz essas coisas à mente e me renova esperança Nele através de vocês dois.
E como é bom me lembrar disso a cada semana que nos encontramos, ainda que por breves ou atribulados momentos.
E é a MEMÓRIA que me impede de me afastar de vocês, mesmo quando eu, imperfeito, imagino ser esse o caminho racional, e é essa MEMÓRIA INSPIRADA POR DEUS que me faz me aproximar mais e mais da vida de vocês, mesmo com todas as nossas imperfeições, e poder chamar vocês de meus irmãos, de meus amigos...

Olhando para os rostos presentes, creio poder dizer que essas MEMÓRIAS não são apenas minhas ...

Nesse momento, onde agradecemos a Deus por tê-los conduzido juntos no Caminho até hoje, são as MEMÓRIAS do agir de Deus na vida de vocês que me dão a ousadia de poder afirmar que o mesmo Deus de Amor que os conduziu até hoje, continuará guiando a vida de vocês eternamente, e fartará a alma de vocês em lugares áridos, e fortificará os ossos de vocês dois; e vocês serão como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam.


E para simbolizar tanto essas MEMÓRIAS dadas por Deus que lhes conduziram até hoje juntos, como também aquelas MEMÓRIAS que Deus continurá gravando em suas mentes e corações, como também nos nossos, é que realizaremos, agora, a troca de alianças e votos.


Ceia
A palavra que usei para marcar esse momento é MEMÓRIA. E não a escolhi por acaso.

No episódio da vida de Jesus Cristo que, para mim, mais expressa a divindade e humanidade do nosso Salvador, essa palavra é marcante.
Em sua narrativa do momento conhecido como A Ceia do Senhor, Lucas coloca na boca de Jesus uma expressão carregada de sentimento tanto amoroso quanto fraternal e que, nesse momento, creio que possamos compreender essa sensação gravada pelo evangelista: "E disse-lhes: "Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer." Lc 22: 15.
Esse "desejo ardente" de Jesus por comunhão e intimidade com seus amigos, creio que podemos vislumbrar alguns lampejos do que ele seja ao partilharmos desse momento de celebração da vida de Deus na vida desse amado casal.

E tendo instituído a Ceia, após o partilhar do pão e vinho, Jesus diz: "façam isso em MEMÓRIA de mim".
Mais uma vez a importância e divindade da MEMÓRIA é reforçado por Cristo.
A MEMÓRIA, agora, não se vincula apenas a fatos, mas a uma PESSOA.
A MEMÓRIA, agora, não se restringe a servir ao passado, mas coopera com o presente e produz o futuro.
A MEMÓRIA, agora, não se restringe ao indivíduo, mas agrega toda a coletividade em UM.

E é por isso que creio que na CEIA do SENHOR, todo o Evangelho encontra-se expresso. Todo o Amor de Deus é demonstrado de forma iconográfica. A comunhão entre vidas é possível.
É por tudo isso que a MEMÓRIA é trazida a esse momento.
E é por isso que gostaria de celebrar o Evangelho, a Vida e a Comunhão com esse casal nesse momento de gratidão a Deus.

Como eu disse, não somos convidados, apenas, dessa celebração de bodas, mas participantes ativos, e, por isso, convido a todos aqueles que reconhecem a Cristo como Senhor e Salvador a examinarem-se a si mesmos, e, juntos com o casal, como família de Deus, partilharmos do corpo e sangue de Cristo em comunhão e festa familiar.

Em MEMÓRIA da PESSOA de Cristo, através de quem Deus pode nos receber em Sua Família.
Em MEMÓRIA, de tudo o que o Pai já realizou em nossa vida no passado, de tudo o que tem feito no presente, e por tudo o que produzirá no futuro até a volta de Cristo em glória.
Em MEMÓRIA de que Jovane e Renata não são UM apenas entre si, mas, pela graça de Deus, temos tido a benção de sermos UM com eles.
Em MEMÓRIA dos momentos de comunhão que temos juntos em família através do agir de Deus na vida do Jovane e Renata.

Em MEMÓRIA de que a Igreja, a irmandade cristã e a nossa esperança, agora, podem ser definidos como uma Comunidade de Amigos que aprendeu a Sonhar juntos.


E, por fim, EM MEMÓRIA de um compromisso de comunhão, cuidado e amor que Jovane e Renata renovam um com o outro diante de todos, ao mesmo tempo em que todos nós renovamos o compromisso de comunhão, cuidado e amor pela vida desse casal diante de Deus, nosso Pai.
Ceemos todos, e em comunhão, troquemos nossos cálices!
Despedida
Por fim, nessa oração final de gratidão a Deus pelos 10 anos de casados de Jovane e Renata, com a permissão já concedida pelo casal, e por sermos uma família, sei que há outro casal que completa 10 anos de convívio juntos nesse mesmo período e, mesmo correndo o risco de causar-lhes algum embaraço, gostaria de chamar o César e a Patrícia para que venham aqui a frente para orarmos juntos, em família, agradecendo a Deus pela vida de vocês, também.

Oração ...

Lucas 22: 15
E disse-lhes: "Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer.

Lam 3: 21
Todavia, lembro-me também do que pode dar-me esperança.

I Sam 7: 12
Então Samuel pegou uma pedra e a ergueu entre Mispá e Sem; e deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: "Até aqui o Senhor nos ajudou".

Is 58:11
E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Culto Infantil - 17/10/2010

Hoje (17/10/2010) o culto foi em comemoração ao dia das crianças. Mas não foi só isso, as crianças fizeram tudo, desde o louvor, até a pregação.

Todavia, começo esse relato pelo fim:

Na volta para casa, eu, como sempre, volto conversando sobre o culto com a Jaque e pergunto: “O que aconteceu hoje foi um culto?”

A Giovana, então – não sei se ela entendeu a pergunta, ou se eu é que não entendi nada até aquela hora – disse: “Gostou do culto, papai!” E eu respondi como todo pai deveria responder: “Sim filha, adorei o culto que vocês fizeram!” E, após isso, ela disse – mais uma vez, parece que eu ainda não estava entendendo nada!: “Eu gostei muito da pregação da Bia!” Então é que eu caí em mim!

O que ela chamava de pregação foi a Bia (filha do Denis e Jurema, com 12 anos recém-completados este mês) contando a história de Ester em cerca de não mais do que 15 minutos, e terminando com duas “morais” para a história de Ester.

Depois, em casa, a Giovana ainda comentou: “Eu gostei muito do que a Bia falou. Bem mais do que quando você ou o tio Jô falam. Ela contou uma história e foi bem rapidinha.”
...
Definitivamente, eu não acredito no que a Bíblia fala sobre o perfeito louvor da boca dos pequeninos!
Mt 21: 12-17
16 e lhe perguntaram: “Não estás ouvindo o que estas crianças estão dizendo?”
Respondeu Jesus: “Sim, vocês nunca leram: “ ‘Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos suscitaste louvor’ ”?
17 E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, onde passou a noite.


Salmo 8
2 Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança.

Explico-me, e esse negócio de se explicar já é coisa de adulto, mesmo.

A questão não é que eu não acredito na Bíblia, a questão é que eu não pratico em nada a crença nesse ponto.

Hoje, no culto, como eu disse, as crianças fizeram tudo, tudo mesmo (e o culto durou cerca de 90 minutos, tirando a única parte “adulta” do culto que foi a apresentação de uma criança – o que, por sinal, não estava agendado, mas veio bem a calhar, e durou mais uns 20 minutos).

Então, as crianças cantaram as músicas e a Giovana ministrou o louvor (antes de cada música ela dizia o nome da música que iríamos cantar), as crianças tocaram os instrumentos (o Mateus levou a guitarra de brinquedo – e quebrada – das meninas superpoderosas da Giovana e ficou sentado em um banquinho junto com os outros músicos ‘tocando’), a Bia pregou, teve apresentação de algumas danças com coreografias ensaiadas pelas professoras do ministério infantil, as crianças jogaram futebol (literalmente) enquanto puseram um playback de fundo, a Giovana dançou Ballet com a música do Kléber Lucas – Sê Bem-vindo – e os meninos dançaram um hip-hop (o Mateus estava nessa, também).

Não preciso falar que houve alguns ensaios para algumas das músicas (não mais do que uns 4, talvez) e que tanto a Giovana quanto o Mateus estavam bem animados com o que iria acontecer no culto.

A Giovana, desde que comentaram que as crianças iriam fazer um culto, já estava imaginando o que fazer para ministrar o louvor, e preocupada em como deveria fazer isso. O Mateus, por sua vez, vendo os meninos tocarem os instrumentos, não se continha e estava sempre pegando algum instrumento para tocar, mesmo não sabendo tocar nada.

Agora, eu, na minha ‘maturidade’, quando fiquei sabendo que as crianças iam fazer o culto, pensei em uma ou duas apresentações no final do ‘culto normal’, e nem empolguei as crianças, por não pensar que fosse algo realmente importante, principalmente, o Mateus, já que ele tem apenas 3 anos e não iria tocar nada e eu estava com medo de que ainda pudesse quebrar algum instrumento se ele pensasse em tocar mesmo.

Quando fiquei sabendo que as crianças iriam tocar/cantar todas as músicas do período de louvor, pensei que seria algo diferente, mas não imaginei que os adultos não iriam participar.

Quando me disseram que uma criança iria pregar, não imaginei que não houvesse uma pregação adulta.

Quando meus filhos me disseram que iriam apresentar um ballet e um hip-hop, não imaginei que seria tão improvisado.

Na sexta (dois dias antes) a Giovana levou a música para ensaiar o ballet. No sábado eu pedi para que ela me mostrasse o que iria dançar e ela disse que não queria (como eu não estava levando o negócio a sério, nem insisti). Hoje, depois do culto eu perguntei se ela havia ensaiado e ela disse: “Não, eu improvisei tudo!”

O Mateus, sim, eu tenho certeza, nem precisei perguntar, improvisou tudo, mesmo! E nem sei se eles haviam ensaiado alguma coisa!

Sobre as apresentações, foi tudo muito lindo. As crianças cantaram bem, dançaram bem, pregaram bem. A Giovana fez uma dança de improviso muito linda, parecendo que estava sozinha na igreja. E o Mateus fez o seu hip-hop como se realmente soubesse o que estava fazendo (e, embora essa frase seja utilizada como força de expressão, tenho certeza de que ele sabia mesmo o que estava fazendo, quem não sabia o que estava acontecendo era eu!!!). E mais, em determinado momento, ele começa a bater palmas, olha para todos que estavam assistindo a apresentação na igreja e diz: “Agora, todo mundo batendo palma!” Foi fantástico!

E mais, saindo de casa o Mateus disse que queria levar a guitarra da Giovana para tocar na igreja e eu pensei que seria melhor ele levar aquela do que estragar alguma de verdade. E foi formidável a maneira como ele ficou sentado junto com os adultos na frente tocando aquela guitarra cor-de-rosa como se fosse canhoto. Chegava até a pisar em um pedal imaginário e a mexer os dedos como se estivesse fazendo um acorde. Ele cuidou da guitarra o tempo todo, e fez (pelo menos para mim) um show a parte.

O esforço dos professores do ministério infantil foi muito bem recompensado. Graças a Deus por todos! Valeu a pena!!! Glórias a Deus por tudo o que ocorreu!
...
Agora, vamos às considerações de um ninguém que acha que sabe o que deve ser feito!

Sinceramente, quando cheguei à igreja vi muita gente no culto (muitos convidados do casal que iria apresentar a criança – estes, por sinal, não são membros da igreja. Eles são amigos do Denis e já queriam ter apresentado a filha há algum tempo na igreja, e pediram para fazer isso no sábado e tudo se acertou para acontecer a apresentação no domingo) (também, alguns convidados do Beto; mais alguns convidados que fazia tempo que não apareciam na igreja, e, de surpresa, um casal de amigos meus (muito bons amigos, por sinal), que resolveram aparecer justo hoje!). Parece que a nossa igreja só fica cheia de visitantes quando essas coisas diferentes acontecem. Deus deve usar isso para alguma coisa: ou o visitante vê a nossa maluquice e se agrada, ou nunca mais volta. É quase como um tratamento de choque!!

Um desses visitantes entrou na igreja me perguntou se hoje haveria culto. Eu disse que a igreja estava enfeitada porque seria um culto especial para o dia das crianças, mas no fundo, o que eu estava fazendo era, de alguma maneira, me desculpar pelo culto das crianças.

Depois, quando vi meus amigos e pensei que não haveria ‘pregação normal’ (seja lá o que pode ser considerado isso!), já comecei a imaginar alguma desculpa para dar no final do culto.

Mais do que isso, fiquei um bom tempo me remoendo por dentro para não ir lá na frente da igreja e tentar ‘salvar’ a noite com uma bela de uma pregação/desculpa sobre o que estava acontecendo. Nisso, Deus usou uma criança para me impedir de estragar tudo: a Isabele, pois como eu tinha de ficar com ela no colo, não tive como ir à frente e fazer a besteira que pretendia.

Que mania mais besta essa: imaginar que se nada sair da forma como eu considero adequada eu devo me desculpar. Ou pior, imaginar que eu é que sei o que é realmente um culto adequado! É a velha história do “Princípio Regulador do Culto” do século XVI/XVII que insiste em me perseguir. Imaginar que Deus só se agrada de nossos ‘cultos normais’. Imaginar que crianças não sabem o que estão fazendo. Imaginar que ‘ordem’ significa ‘cada coisa no seu lugar’ ‘e da forma como eu quero’.

É por isso que descobri, depois de hoje, que eu, definitivamente, não acredito que da boca dos pequeninos Deus tira o perfeito louvor. Mas, graças a Deus, que Ele ainda não terminou de me ensinar essas coisas.

O culto terminou e eu não me desculpei com ninguém sobre nada do que ocorreu no culto. Inclusive, meus amigos saíram dizendo que gostaram! E eu espero, realmente, que voltem e fiquem!

E agora, deitado na cama, me senti forçado a escrever tudo isso (mesmo de forma confusa), em agradecimento a Deus por tudo o que aconteceu.

Há muito tempo que não me sentia tão bem na igreja.
Há muito tempo que não saía de um culto com o sentimento de dúvida do tipo: “Será que fizemos a coisa certa?”
Há muito tempo que não via meus filhos tão integrados no culto!
Há muito tempo que não me sentia lavado e feliz com tudo e todos, como me senti hoje cheio de gratidão a Deus.

A dúvida é, para mim, extremamente saudável. Me ajuda a buscar mais a Deus, pois quando tudo está bem, andando normalmente, parece que, no fundo, apenas estamos em ‘ponto morto’ descendo a ladeira. E com Deus nós nunca devemos estar descendo a ladeira.

É exatamente a dúvida que me faz andar no caminho prostrado e não com o nariz empinado.

É exatamente a dúvida que me torna dependente, pois o “princípio regulador do culto” me faz criar certezas que servem apenas para me afastar de Deus e me enclausurar em mim mesmo.

E havia tempos que não tinha dúvidas na caminhada da nossa igreja. E isso me animou e me fez sorrir com a convicção de que o caminho que estamos percorrendo nessa comunidade é o caminho para o qual Deus tem nos conduzido.

Meus filhos se sentiram muito bem, hoje. E digo isso porque eles ficaram muito à vontade para fazer na igreja aquilo que fazem em casa! Eles correram, cantaram, dançaram, fizeram o ‘show’ deles. Aquilo que, não raras vezes, ele querem me mostrar e eu, ocupado com as minhas coisas de adulto, não tenho tempo de prestar atenção. Ou aquilo que eles, não raras vezes, fazem à exaustão e eu, tão acostumado a ver as flores pelo caminho, já não as considero importantes nem paro para sentir seu perfume.

Muitos querem que seus filhos façam em casa o que fazem na igreja! Eu não!!!!

E hoje pude me sentir realizado: meus filhos fizeram da igreja a casa deles. O que eles fazem em casa, eles fizeram de forma completamente descontraída na igreja.

A igreja deixou de ser um lugar santo para ser um lar. E, quem sabe, para eles, poderia dizer que a igreja deixou de ser a sala, onde os bibelôs de decoração do papai e da mamãe não podem ser tocados, para ser o quintal ou o quarto da bagunça, onde eles podem jogar tudo para cima sem preocupação e chamar os amigos para brincar de casinha, futebol, esconde-esconde …

Para mim, isso é perceber que Deus tem falado com eles e os tem chamado para Si.
Para mim, isso não é falta de reverência, mas aprender a desfrutar da casa do Pai.
Se a igreja não é um lugar de crianças, não pode ser a família de Deus.

Eu que vivo dizendo que igreja não tem futuro, só presente, e que as crianças não são o futuro da igreja, mas o presente da igreja, hoje, tive a oportunidade de me ver confrontado com essa realidade e me senti confuso com a verdade dessa afirmação que tantas vezes fiz.

E fico feliz em poder ainda ser consternado pelo agir de Deus de forma tão assombroso!

Mas isso, lógico, só foi capaz em razão das amizades que estão sendo criadas lá.

E tudo o que aconteceu hoje me fez sorrir por saber que os filhos de todos ali são cuidados por todos que ali estão. Não cuido apenas dos meus filhos, mas dos outros todos. E, ao mesmo tempo, meus filhos têm o carinho de todos os avós, pais e crianças da igreja.

Isso é mais do que eu poderia imaginar em pedir a Deus.

É fantástico poder ouvir hoje: “Nossa, como o Mateus está diferente!” sabendo que quem me fala isso acompanhou nossas preocupações com o Mateus e, mais, orou a Deus pelo meu filho para que ele pudesse ser a criança que ele é hoje!

É formidável conviver em uma comunidade que apesar das cabeçadas, das dúvidas, dos erros (muitos), dos acertos (muitos, também, graças a Deus), daqueles que vão (infelizmente), veem (felizmente) e ficam, essa comunidade caminha em um caminho juntos e, sobretudo, tem entendido que o importante é caminhar juntos, e não chegar em algum lugar.

Como eu posso dizer que a Giovana não entendeu nada? Como eu posso falar que aquilo que ocorreu não foi um culto? Como eu posso compreender essa história de que o louvor perfeito sai da boca dos pequeninos?

Acho que quem não entendeu nada fui eu!

Contudo, espero que a lição tenha começado a ficar um pouco mais clara para mim a partir de hoje!